quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Zico, o pitbull que mordeu a pessoa errada


A Justiça em Portugal está a mudar e, pelos vistos, a tornar-se mais ágil. O país precisava de uma justiça mais rápida, mas tinha esperança essa mudança começasse no julgamento e investigação de pessoas. Pelos vistos, a rapidez começou no julgamento de animais.
A servir de exemplo, temos um julgamento sumário de um cão arraçado de pitbull que feriu de morte um bebé de 18 meses, em Beja, tendo sido condenado à pena de morte. Se a rapidez da justiça para os animais ainda fosse como a dos humanos, este cão teria ainda bastantes anos em prisão domiciliária, num canil com boas condições (qualquer advogado estagiário conseguiria ar condicionado e SportTv) e, provavelmente, nem chegaria a viver para cumprir a real sentença, que andaria de recurso em recurso. Sinceramente, talvez essa fosse a pena mais adequada – viver o resto dos seus dias privado da liberdade de conviver com pessoas em geral.
Ao princípio ainda fiquei surpreendido quando li num jornal que a sentença a aplicar ao animal, a pena de morte, tinha por justificação a prevenção para que tragédias como a que aconteceu não se voltem a repetir. Não era costume de cá e até achei que era de mais condenar o dono do cão à morte, mas bem, talvez fosse o resultado de uma investigação profunda desta “nova” justiça. E se era por prevenção, talvez se justificasse. A morte de um bebé é algo que nunca deveria acontecer e que nos choca a todos, ainda para mais nestas circunstâncias.
Já estava prontinho para ir fazer um post inflamado no facebook quando me pareceu boa ideia ler a notícia até ao fim. E fiz bem. Afinal de contas era o cão que tinha sido condenado à morte. O cão?! Se o dono disse a um jornal que “desejava o abate do animal” porque simplesmente não tinha condições de o ter em casa, se o cão tinha sinais aparentes de fome, as orelhas cortadas evidenciado que poderia ser utilizado em lutas de cães e nem sequer registado estava, se passava o dia fechado no apartamento e até já tinha atacado duas vezes o dono, o cão é que vai ser abatido?
Claro que o abate do cão serviria de prevenção. Duvido que aquele animal em concreto, depois de abatido, voltasse a fazer mal a quem quer que fosse. Já o abate do outro animal preveniria que mais cães tivessem que ter uma vida miserável, fechados num apartamento com fome, sujeitos aos seus instintos de sobrevivência e a ver potenciais inimigos em bebés que tropeçam neles.
Tenho esperança que o animal de quatro patas não seja abatido. Mas também tenho esperança que ninguém se lembre de se armar em Ceasar Milan, o Encantador de Cães americano milagroso, e o reabilite e ponha de novo numa casa com humanos. Cães como o Zico estão marcados por um passado de pesadelo e têm que ser tratados por quem sabe e não por qualquer um. Muito menos por quem quer ter um cão potencialmente perigoso para dar nas vistas, como tantas vezes acontece. Para isso, pintar o cabelo de cor-de-rosa chega bem. Um canil ou um abrigo para cães seria a melhor solução para o cão.
Já em relação ao outro animal, quer-me parecer que nada lhe vai acontecer. É verdade que a justiça já começou a mudar. Mas escolheu começar pelos animais de quatro patas quando devia ter começado pelos de duas. Esses sim, são um perigo.

PS: 6ª crónica que publiquei no P3. A sensação de ver mais de 3000 pessoas a ler no site de um jornal de prestigio que eu defendo o uso de cabeleiras cor-de-rosa em vez de cães perigosos para chamar a atenção é qualquer coisa de surreal... ;)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Descobri a minha árvore das patacas

Toda a gente sabe que isto anda mau. Cada vez há menos dinheiro, mais desemprego e ninguém sabe para onde se virar. A forma de ultrapassar esta crise tem que ser pensada por todos, antes que o relatório do FMI seja mesmo aprovado. Só juntos poderemos arranjar maneira de saltar daqui para fora.
Eu, depois de longos segundos, que mais pareceram minutos, a pensar no assunto, já tenho uma ideia para sair deste buraco. Temos que nos voltar para o essencial, para aquilo que nos define enquanto pessoas. Esquecer o acessório e olhar para o que é mesmo importante e que, mesmo em tempo de crise ninguém pode dispensar. Sim, a solução está no facebook. Foi lá que encontrei a forma de dar a volta a este estado de coisas. A minha segunda opção era a Agricultura, mas isso é coisa para sujar a roupa e toda a gente sabe que isso dá uma despesa enorme só em detergente. Já para não falar nas botas cheias de lama. (a minha mãe que o diga de cada vez que o meu pai entra em casa...)
Mas bem. De volta ao facebook. São mais de 1000 milhões de utilizadores. É muita gente. A minha ideia era simples: cada pessoa com perfil no facebook era obrigada a ter um avatar (o boneco para a foto de perfil) cheio de estilo. Por cada avatar, cada pessoa pagaria 1 cêntimo.
Depois, esses bonecos teriam que ser encomendados a determinadas pessoas escolhidas pelo Zuckerberg, o patrão lá do sítio. Se fossem poucos utilizadores, eu tratava do assunto sozinho. Mas como já são mais de uns quantos, a minha ideia era que a lista tivesse uns 10 idiotas ilustradores como eu. Ou seja, cada um ficava com 100 milhões de bonecos para fazer. Nada de especial. Só tinha era uma regra: cada pessoa teria que pagar o 1 cêntimo de imediato. Garanto-vos que a mim me resolvia o problema da crise. E ninguém se ia queixar por ficar com 1 cêntimo a menos. E com 1 milhão de euros no bolso, ficava logo com mais motivação para fazer os bonecos. É que nem pensava em mais nada.
Este princípio podia ser estendido a outras coisas essenciais. Não se podia era abusar, senão a malta deixaria de lá ir porque ficava caro. Pelo sim pelo não, acho que vou patentear a ideia e já venho.

PS: Lia, o teu é oferta porque foi graças a ti que me lembrei deste negócio que me vai tornar uma gajo super rico e eu sei reconhecer isso. Mas se, por algum acaso, eu cair na pobreza, ficas a contar que, pelo menos 1 cêntimo vais ter que me orientar. E nem venhas com desculpas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Eu cá lavo sempre as mãos


Cada vez que vou à casa de banho de um determinado centro comercial, que não vou dizer qual porque eu não sou cá de polémicas, entram sempre um ou dois seguranças atrás de mim. Vêm, como de costume, com os walkie-talkies na mão, com aquelas tretas do "Tango, daqui Charlie, escuto..." como se estivessem no Vietname e com o ar de seres superiores que lhes é característico.
Até hoje, a coisa intrigava-me. Afinal de contas, porque carga de água é que sempre que eu lá ia à casa de banho, haviam de entrar seguranças atrás de mim? Até que cheguei à única conclusão possível. E, caramba, agora que percebi tudo, até me custa ter andado este tempo todo sem perceber uma coisa tão simples. Primeiro ainda pensei que eles lá fossem espreitar os meus atributos por pura inveja mas não, o motivo que os leva lá é bastante mais refinado. Eles vão lá ver se a malta lava as mãos no fim de fazer o que estiver a fazer.
Incrível, não é? E fui eu que descobri. Da última vez que lá fui, mais propriamente ontem, enquanto lavava as mãos, olhei de soslaio para os homens. Eles ficaram tão embasbacados sem saber como reagir que foram para ao pé da janela e começaram com uma conversa tal, que só é compreensível porque de certeza que estavam a disfarçar:
"Xiii, já viste o que era um gajo atirar-se desta janela para rua?", dizia o que tinha ar de esperto.
"Oh, o que é que estás para aí a dizer?", respondeu o colega, meio aparvalhado, claramente sem o mesmo talento para o improviso que o colega.
"Ya, quem se atirasse esborrachava-se todo!"
"Mas que raio..."
"Oh, já se devem ter atirado poucos, até julgas..."
Foi um desempenho dramático muito bom mas a mim não me enganam eles. Seguranças, cuja suposta função é zelar pela segurança dos utentes do centro comercial, a achar piada ao pessoal que se atira das janelas? Era óbvio que estavam a disfarçar alguma coisa.
Depois disto só me faltava descobrir quem teria encomendado este servicinho aqueles idiotas seguranças. Ontem à noite, sem que eu me esforçasse, a resposta a esta minha pergunta veio ter comigo ao jantar, na forma de comentário inocente.
"Há dias, fui à casa de banho num centro comercial e de todas as mulheres que lá estavam, eu fui a única que lavou as mãos. É incrível!..."
É mesmo, Maria. É mesmo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Não é fácil mas vale a pena


Apesar de estarmos a entrar num ano que se prevê que venha a ser dos mais difíceis dos últimos tempos, acho curioso que seja, de longe, um dos anos em que mais casamentos vou ter. Quer dizer, agora que penso nisso, ter muitos casamentos no mesmo ano reforça a ideia de que vai ser um ano difícil... Bem, é melhor não pensar muito nisso.
Para além dos casamentos para os quais fui convidado a ir, também tenho tido vários casamentos para os quais tenho sido convidado a fazer o convite para os noivos convidarem quem bem entenderem, se é que me faço entender.
Fazer um convite de casamento é sempre uma tarefa meio complicada. Há sempre muitas expectativas por parte dos noivos da noiva e agradar acaba por ser complicado. Até porque é um dia que os noivos a noiva já imagina como vai ser há vários anos, incluindo o vestido, a quinta, a cerimónia e, claro, os convites.
O primeiro que fiz, como não poderia deixar de ser, foi para o meu casório com a Maria. Precisei de menos tempo para a indrominar a convencer a namorar comigo do que para lhe conseguir agradar com o convite. Foram 4 longos meses de rascunhos, de pinturas, de experiências, de eu-acho-que-está-bem-assins e ainda-não-está-bem-como-eu-queros. Também houve alguns já-tou-a-começar-a-ficar-farto-distos e bastantes caneco-nunca-fazes-como-eu-te-peços. Dois ou três não-estás-a-dar-importância-nenhuma-a-istos e algumas dezenas de peço-desculpas.
Aliás, a demora na concepção do convite até foi um dos motivos pelo qual convidámos as pessoas mais tarde que o costume. Algumas são capazes de ter ficado a pensar que as estávamos a convidar por obrigação por ter sido tão tarde, mas também não nos pareceu boa ideia dizer "Desculpe só ser agora, mas tínhamos algumas dúvidas acerca da posição do braço do boneco e da forma da boca da boneca no desenho do convite..." O que é certo é que a Maria mandou fazer um quadro com a ilustração do convite, por isso desconfio que a coisa correu bem.
Por isso, por ser uma coisa importante, faço sempre questão de perguntar aos noivos aquilo que pretendem que apareça no convite. A lista de coisas costuma ser interminável. No caso do convite que aqui mostro, os simpáticos noivos só me pediram para incluir referências à cidade onde vivem, ao local onde se conheceram, aos hobbies de cada um, aos meios de transporte de cada um, à fisionomia de cada um e à pintura do convite com os tons específicos da festa, por isso foi extremamente simples.
Bem, talvez tire o "extremamente". E já agora o "simples" também.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O meu desejo para o momento que se aproxima


Quer escolham viver esse momento mágico em casa, na casa de amigos, numa discoteca, num cruzeiro ou na rua, o importante é não perder a noção de que o mais importante ainda está por vir, de que grandes emoções ainda estão por viver e que as dificuldades só se farão sentir depois da festa.
Por cá, as mulheres da casa já estão a guardar o lugar no sofá para esse grande momento.
Para o evento só tenho mesmo um desejo: que não ganhe a Jéssica. Não é por mim nem pela Maria, que nem sequer sabemos quem seja a moçoila. É pela minha mãe. Ela não lhe acha piada e as minhas irmãs concordam. E se elas o dizem, eu estou nessa.
Ah, é verdade, parece que o ano muda hoje. Com toda esta emoção, quase que nem dava por isso. Também não percebo quem é que marca a passagem de ano para o mesmo dia da final da Casa dos Segredos...
Mas bem, desejo um Bom Ano Novo a todos, que seja repleto de sucessos a todos os níveis e que saibamos dar a volta aos desafios que se aproximam, com a elevação que desde que somos uma nação temos mostrado a todo o Mundo!
Ah, e que não ganhe a Jéssica.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Não deitem fora os burros e as vacas

Recentemente foi publicado um documento que deixou muita gente em suspenso. Um texto que conta a história de pessoas muito pobres, da difícil vida que lhes estava destinada, e que faz a sociedade reflectir num dos maiores enigmas da Humanidade. Um enigma maior até que a expulsão do Wilson da Casa dos Segredos. Bem, não exageremos. É grande, mas talvez não seja assim tanto. Falo, afinal, da existência (ou não) do burro e da vaca no Natal.
Uma leitura atenta deste documento, que parece ter sido escrito por um alemão, não deixa quaisquer dúvidas e confirma os piores receios: há mesmo burro e há mesmo vaca. Não há volta a dar.
O livro, chamemos-lhe assim, dada a sua profundidade, não pode ser lido de forma literal. Tem de ser lido com toda a atenção, pois as grandes revelações estão nas entrelinhas. Uma leitura baseada apenas na interpretação directa das suas palavras não será capaz de extrair a grandeza dos acontecimentos e ensinamentos nele contidos. E ele contém grandes revelações. Sim, porque a existência de um burro e uma vaca é, porventura, a mais pequena de todas.
Neste histórico texto de que falo, com o sugestivo título "Orçamento de Estado 2013", uma das maiores revelações está na passagem "Cortes nas Pensões". É aqui que é mais evidente a existência do burro, apesar de a sua presença também estar implícita noutros capítulos. Só mesmo o burro conseguiria olhar para as ilegalidades contidas neste capítulo e encolher os ombros, quando tudo o que lhe competia era que perguntasse aos seus amigos se aquilo era grave ou não. Em vez disso, o burro preferiu ignorar que pessoas reformadas, já de si pobres, vão ficar ainda mais pobres, apesar de terem descontado toda a vida. Talvez tenha sido por inveja dos pensionistas que, ao contrário dele, também reformado, ainda conseguiam esticar a sua reforma para as despesas e que agora vão, certamente, deixar de conseguir. Pelo menos assim, o burro vai estar em pé de igualdade com os outros reformados do país.
É fácil perceber as dúvidas da sociedade quanto à existência ou não do burro, já que não é qualquer um que o consegue ver. É preciso acreditar que ele lá está, porque na verdade, ninguém o vê a fazer nada. É uma questão de fé. Eu tinha avisado que era preciso ler nas entrelinhas.
Já no caso da vaca, não é preciso escolher nenhuma passagem em particular para se perceber que a sua existência é bem real. Ela está em todas elas, mas de forma subliminar. Seja no aumento do IRS, nos cortes da Saúde ou da Educação, a vaca marca a sua presença, cada vez menos discreta. Ao contrário do burro que nada faz, a vaca, como animal que dá de mamar, acaba por ter uma maior intervenção na história, cobrando o que bem entende pelo seu leite que alimenta quem a rodeia. Como, inclusivamente, é mais corpulenta que o burro, ela própria aquece mais o ambiente que o próprio jumento, levantando, também aqui, sérias dúvidas quanto à real necessidade de se ter um burro.
Toda a história tem pouco de novo e fica-se, até, com a ideia de que apenas foi publicado o início, ficando o final por desvendar. Para já, deu para perceber que vai acabar mal. Só ainda não se sabe para quem. Quer dizer, para o burro vai de certeza.
Só achei curioso que tenha sido lançado na mesma altura um outro livro, escrito pelo Papa Bento XVI, que também aborda a temática do burro e da vaca. Apesar do autor deste livro também ser originário da Alemanha, à semelhança dos verdadeiros autores do primeiro texto de que falei, é bastante mais explícito na sua mensagem. Aqui não foi a presença dos animais no presépio que me causou dúvidas, porque isso está bem explícito na passagem “(…)Nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento.” E por isso não acredito que haja alguém que saiba ler que não o perceba. A única coisa que me suscitou alguma desconfiança foi a proveniência dos Reis Magos. De Espanha? Parece-me mais que o Gaspar e os seus amigos partiram de terras lusas para levar os presentes à vaca, quer dizer, ao menino, mas isso já sou eu a divagar.

PS: esta foi a idiotice #4 publicada no P3, que também podem ler aqui. Sim sim, já são 4 e ainda ninguém me bateu à porta de casa para me por um saco na cabeça e levar até ao Relvas. Só por isso já está a correr bem.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal! (sim, a todos...)


Escapei-me do árduo trabalho de polvilhar os cuscurões com açúcar e canela que a minha mãe está a fazer para vir aqui deixar os meus desejos sinceros de Feliz Natal a todos os que se dão ao trabalho de passar por aqui! Aos outros também, vá, que no Natal fico assim um mãos largas.
Bem, agora tenho que voltar, porque há cuscurões que precisam de mim. Estes ainda é o menos. Estou a ver é que ainda vou ter que ir impor respeito a uma tablete de chocolate e uns ovos que estão mesmo a pedi-las. Mas bem, como eu sou um coração mole, o mais certo é que só seja capaz de bater nas claras.
Afinal de contas, é Natal.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Trabalho de equipa

Mais cedo ou mais tarde, todos sabíamos que este dia haveria de chegar. Não adianta fingir e assobiar para o lado porque esse dia chegou. E não há nada a fazer quanto a isso.
Chegou o dia em que... volto a pedir que me ponham um "gosto" nesta imagem no facebook da mysugar, porque concorri a um concurso de "gostos" ilustração e, para ver os meus bonecos a embrulhar chocolates, preciso mesmo da vossa ajuda. É uma espécie de trabalho de equipa em que vocês jogam todos a ponta de lança.
Neste momento, a coisa está preta. As votações duram até sábado e já estou 400 "gostos" atrás do primeiro. Mas, tendo em conta os milhões de pessoas que aqui passam todos os dias, não deve haver grande problema. Estive quase para fazer este triste choradinho meia hora antes do fecho das votações, que será sábado à meia noite, mas não fosse a malta estar às compras de Natal, achei melhor não arriscar. Nem toda a gente tem as prioridades bem definidas, e é preciso contar com essas pessoas também.
Fica aqui o link para cumprirem com o vosso dever bloguístico. Agora não se ponham é a ver os outros concorrentes e a votar no que acham que é mesmo o melhor. Tudo menos isso.
Estou a confiar em vocês.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O mundo estava tão bem sem diospiros...


Só há duas coisas capazes de fazer a minha Maria trepar a uma árvore: ser perseguida por um monstro de três cabeças, com baba ácida e garras piores que unhas de gel acabadas de fazer e apanhar diospiros. Neste último caso, há só uma obrigatoriedade: a árvore tem que ser um diospireiro. No primeiro caso pode ser uma árvore qualquer que ela não é esquisita.
Apercebi-me disso quando, há dias, fui com ela apanhar apanhar bolas de gosma vermelha diospiros ao pomar da minha sogra. Apanhámos os pedaços de compota apodrecida com forma de fruta diospiros que estavam à distância de um braço e, quando me preparava para, finalmente, voltar para o sofá e agarrar firmemente com a mão o meu companheiro de 20cm de comprimento,que tem um pequeno orifício na ponta que faz magia (também conhecido por comando da televisão), eis que me surge à frente a Maria com um escadote podre. E, para me fazer sentir mesmo mal, nem me pediu para eu subir. Subiu e apanhou mais uns quantos vómitos instantâneos diospiros.
Claro que numa situação destas, um homem não se pode ficar. Quando ela apanhou os engrossadores de língua automáticos diospiros que conseguiu, subi ao escadote, estiquei-me mas... desequilibrei-me e parti um galho bem grande cheio de enjoadores imediatos de 1º grau diospiros.
Antes de olhar para baixo, tentei pensar numa boa desculpa, mas, não sei porquê, não conseguia ter pena do que tinha acontecido. Estranho. Preparei-me para enfrentar a asneira que tinha feito, que é como quem diz, pus as mãos nos ouvidos e pedi desculpa mas nada aconteceu. Quando, finalmente, olhei para baixo, estava a Maria a apanhar bolas de ranho de tamanho industrial diospiros que tinham acabado de cair. Toda a gente sabe que ralhar é importante, mas não tanto como um pedaço de tripa que mais parece que andou alguém a jogar à bola com aquilo diospiro madurinho. Quando for preciso mudar uma lâmpada cá em casa, é só pendurar lá um bicho em decomposição diospiro que tenho a certeza que ela trata logo do assunto.
Eu cá, não vou dar a minha opinião acerca desta nhanha fruta. Acho que não ficaria bem dizer que me parece que foi um acidente de percurso do Criador quando fez as frutas e que ele devia era estar cheio de pica por ter acabado de criar as mangas, ou os morangos, e, com o entusiasmo, quis fazer uma fruta nova mas, quando a provou, devem-lhe ter dado vómitos, que foram parar ao chão e germinaram aquilo que penso quando a minha Maria é tão apreciadora.
Sim, porque eu sou uma pessoa sensível e ponderada.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Eu estou do lado dos mauzões


Como tenho vindo a constatar que, no caso da greve dos estivadores, os pesos nos pratos da balança entre apoiantes e detractores estão muito desequilibrados, venho aqui deixar os meus 64 kg no prato dos apoiantes. A ver se a coisa fica um nadinha mais equilibrada.
Ao longo das últimas semanas, todos vimos nascer uma nova categoria de monstro. Para quem já estava farto de tentar impor o respeito aos seus filhos e concluído que nem o Homem do Saco nem o Bicho Papão resultavam, surge agora uma nova esperança com o novo, o horrífico, o mauzão… o Estivador.
Honra seja feita ao Governo que conseguiu criar esta nova personagem junto da opinião pública. Bastou lançar uns rumores acerca dos vencimentos e das regalias dos estivadores e, em menos de nada, conseguiu o feito de pôr pessoas, a quem fez tremendos cortes nos rendimentos, a revoltarem-se contra a única classe de trabalhadores que, até hoje, fez alguma frente de verdade ao próprio Governo. Tem havido outras greves e manifestações mas nada que faça o Governo recuar, com excepção da TSU. Quer dizer, quando há manifestações à porta da Assembleia em dia de votação de uma determinada lei, o Governo recua ou avança, mas apenas na hora da votação para não coincidir com a chegada dos manifestantes. Mas isso devem ser coincidências.
Todos querem alguém que faça frente ao Governo, mas quando aparece quem o faz, primeiro é preciso ver a sua folha salarial. É sabido que, neste país, só se pode queixar quem ganhar menos que o salário mínimo. Até parece que os estivadores não sofreram já com os mesmos cortes e aumento de impostos. E ao fazerem greve, mesmo que apenas às horas extraordinárias, fazem-no às suas custas, em protesto contra a precariedade em que a sua profissão corre o risco de ficar.
É isso e o facto de se ter descoberto que para entrar na estiva é mais fácil sendo familiar ou amigo de alguém que já lá esteja. Ui ui. Uma tremenda imoralidade. Aliás, este é um dos factores que mais revolta tem levantado nas pessoas e nos políticos. E com toda a razão. Sim, porque uma coisa é a Ministra do Ambiente contratar a irmã da Ministra da Justiça, obviamente pelo extraordinário currículo, outra coisa é os estivadores fazerem isso (até porque duvido muito que a irmã da Ministra perceba alguma coisa de como carregar um navio).
Claro que nem toda a gente tem a sorte de trabalhar em sectores supostamente tão pequenos, unidos e poderosos como a estiva ou os partidos políticos, mas a ideia que dá é que as pessoas que criticam a greve dos estivadores são aquelas que, há muito, abdicaram do seu direito de reivindicar contra as dificuldades que lhes são impostas e procuram consolo na miséria alheia. É mais fácil suportar as dificuldades sabendo que não se está sozinho.
Apesar de todo o poder que lhes é atribuído, foram precisos três meses de greve dos estivadores para que o Governo aceitasse apresentar uma proposta alternativa à primeira lei. Três meses. Cá para mim, fizeram essa proposta nos dois dias antes de a apresentarem porque o resto do tempo devem ter estado escondidos atrás dos contentores a ver se os malandros desistiam da greve. Mas não desistiram. E com isso conseguiram que o Governo fizesse algumas cedências a uma lei imposta pela tia Merkel, com o objectivo de perceber se por cá a coisa corre bem para depois se implementar igual no resto da Europa. É como os medicamentos novos. Primeiro testam-se no terceiro mundo e só depois se usam no primeiro. Tal e qual.
De qualquer das formas, alguns sindicatos já suspenderam a greve e já são poucos os que ainda a mantêm. Por isso, estou optimista – mais três mesitos, dois ou três telefonemas do Passos à Merkel a ver se pode ceder aqui e ali, e a coisa está resolvida.

PS: esta foi a minha 3a crónica no P3 e a que me demorou mais tempo a escrever... Descobri que para falar de certas coisas é preciso ter conhecimentos sobre elas. Caramba, é tão mais fácil dissertar sobre os assuntos que realmente interessam à Humanidade, como as vezes em que adormeço no comboio ou aquelas em que o meu carro me deixa ficar mal...