quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Join2Write (and 2 draw!)


Fico sempre muito surpreendido quando sou convidado a participar em projectos interessantes. Habitualmente, sou convidado a participar em coisas que o são muito pouco. Ainda há bocado fui convidado a fazer o jantar cá de casa e, não é que não seja interessante ter jantar para comer mas, não se pode dizer que seja daqueles convites muito entusiasmantes. Assim de repente, consigo lembrar-me de um ou dois convites que, sendo feitos pela mesma pessoa que me fez este do jantar, poderiam ser bem mais engraçados... Mas adiante.
O projecto interessante para o qual fui convidado é o Join2Write. A ideia partiu da Susana Gonçalves e, basicamente, consiste em fazer um livro onde cada capítulo é escrito e ilustrado por um escritor e um ilustrador diferente, sendo que os escritores têm que se candidatar para entrar e os ilustradores são convidados (fait attention!). É um bocado como aqueles jogos parvos que se faziam na escola, onde cada aluno da turma tinha que contribuir com uma frase para uma história que se ia contando à medida que se ia pensando, mas "com estilo".
Cada vez que um novo capítulo é escrito, é publicado no site do projecto, ficando o livro cada vez mais completo. No capítulo IV, em breve, deve aparecer um desenho como ali o de cima, mas já estão 14 capítulos publicados. De acordo com o calendário, ainda antes do Natal o livro deverá estar totalmente escrito. A história está a ficar bastante intrincada e, como nunca é a mesma pessoa a escrever o capítulo seguinte, o enredo pode tomar rumos inesperados. Quer dizer, pelo menos até ao capítulo IV foi assim.
O resto estou a contar ler quando for editado em papel. Sim, que se a coisa correr como esperado, o livro é editado e a minha conta bancária vai ficar tão cheia que até vai deixar de fazer eco de cada vez que lá cai um depósito.
Bem, pelo sim pelo não, acho que vou lá passar de vez em quando para ler o resto da história. É que estava a ficar engraçada e, como a edição em papel pode demorar muito, depois tenho que voltar a ler os primeiros 4 capítulos.
Posso ter coisas em que sou parecido com um elefante (brincalhão...), mas a memória não é uma delas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Há males que vêm por bem


Eu, que nunca ganho nenhum prémio em passatempos (talvez por nunca participar em nenhum), estava, aqui há dias, a vegetar no facebook quando vi um passatempo do jornal Sol a oferecer 20 bilhetes duplos para a ante-estreia do filme "Astérix ao serviço de Sua Majestade". Para se ganhar bastava enviar uma frase por mail, que vinha no próprio anúncio, e ser dos primeiros 20 a fazê-lo.
O post já trazia 10 comentários quando lhe pus a vista em cima mas, ao lê-los percebi que ainda tinha uma hipótese. Era pouco provável que as pessoas que se deram ao trabalho de comentar para dizer que não concorriam porque não podiam ir no dia da ante-estreia, ou porque para o interior do país nunca há prémios e que o jornal é uma treta, tenham concorrido.
Apesar de céptico, lá enviei o dito mail. Mesmo que não ganhasse, não custava nada e, era o mínimo que eu podia fazer pelo Astérix. Afinal de contas, o Astérix fez muito pela minha pessoa. Pela minha e pela dos meus pais e irmãos, que quando eu fazia anos, tinham nos livros da colecção uma certeza de que eu, não só ia ficar satisfeito, como me ia calar, pelo menos na meia hora em que estivesse a devorar o livro. E isso tinha a sua importância.
Ao longo dos anos, tornei-me um devoto da Asterixologia (com a vantagem de, aqui, não ter que comer a placenta de ninguém...). Cheguei a poupar durante um mês até arranjar 600 paus para comprar uma revista de jogos de computador, para sacar o poster do Astérix e o afixar no guarda-fatos do meu quarto. Delirei com as histórias do Goscinny e chateei-me com quem criticou as do Uderzo, que passou não só a desenhar como a escrever, para a série não morrer. Desejei tanto ir ao Parque Astérix em Paris como me irritei com a porcaria dos dois primeiros filmes, onde a inteligência do humor dos livros foi reduzida a simples idiotice no cinema. Mas se sai um filme novo, eu tenho que ver, nem que seja para dizer mal.
E bem, ao fim de uma hora, lá recebi a resposta do Sol a dizer que, sim senhor, eu tinha ganho dois bilhetes para... sábado dia 13 às 10h30.
É incrível como uma pessoa consegue criticar um gajo qualquer que se dá ao trabalho de comentar no post do facebook do concurso que não concorre porque não tem disponibilidade para a hora da exibição mas não é capaz de verificar se, ao contrário desse gajo, pode ir antes de concorrer. E não. Eu já tinha coisas combinadas e não podia ir mas tinha acabado de ganhar a porra de dois bilhetes para um filme que queria mesmo ir ver.
A solução era tentar oferecê-los a alguém. Falei com a família, com amigos e nada. Ninguém podia ir. Ainda assim quis ir levantar os bilhetes ao Colombo. Podia sempre tentar oferecê-los aqui no estaminé ou emoldurá-los e pendurá-los ao pé do poster. Dei-me ao trabalho de lá ir às 22h, cansado mas determinado, com a Maria em casa a pensar que se fosse pelo Twilight nem do sofá me mexia. Quando lá cheguei, fui atendido por um rapaz, com uma t-shirt do Astérix, que não sabia como é que se davam bilhetes para a ante-estreia. O rapaz chamou a colega, que também não sabia, mas sabia chamar a outra colega, que fingiu que sabia mas não se lembrava. Sabia que os bilhetes de oferta para a ante-estreia não se vendiam, mas o seu vasto conhecimento ficava-se por aí. Por sorte, estava uma colega a varrer o chão que, ao ver ali tanta gente, resolveu ser bondosa e dizer que os bilhetes para ante-estreias só são distribuídos imediatamente antes da exibição.
Só antes da exibição? Bolas... Eu que queria honrar um ídolo da juventude, estava-me a sentir um miserável.
Mal cheguei a casa, para acalmar a dor que me atormentava, fui ver o trailer ao youtube. E, mais uma vez tive que dar razão a quem diz que nada acontece por acaso. Afinal, em vez de estar a deixar ficar mal o Astérix, eu estava era a homenageá-lo. Isso mesmo. Ao ganhar dois bilhetes para a ante-estreia e não podendo ir nem oferecê-los a alguém, eu poupei um sofrimento atroz a duas pessoas. (o filme parece fraquíssimo e a dobragem portuguesa dá-lhe um toque especial...)
Pelo menos até ao Natal, quando passar na televisão. E ao Carnaval, quando voltar a dar. E à Páscoa quando já estiver toda a gente farta. E ao Natal do próximo ano. Hummm, quer dizer, talvez aí seja mesmo o Twilight e, talvez, quem sabe aí, eu vá dar valor ao filme.
Nerd do Astérix, quem, eu? Nah...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

As professoras ficam sempre com os totós...


Aqui há dias, estava eu muito bem a navegar na net no sofá da sala quando me apercebo que, ao meu lado, a Maria estava lavada em lágrimas. Tentei perceber se se teria aleijado no sofá ou se seria pela imensa e transbordante felicidade e rejubilo de eu estar ali ao lado dela mas, ao olhar com mais atenção, percebi logo qual era o problema. E não tinha nada a ver comigo. Era mesmo grave. A Maria estava prestes a perder uma boa amiga.
Sim, isso mesmo. A Maria tem um grupo de amigos que ia num avião que se despenhou no meio da floresta, e uma delas não resistiu aos ferimentos. Felizmente, como eram todos médicos, dois ou três que estavam feridos conseguiram escapar. Até uma que tinha o osso da perna de fora escapou na boa. E outro que tinha o braço a desfazer-se ficou bom com um alfinete de dama a juntar os pedaços de carne. Os bons médicos são assim. A que esticou o pernil, perdão, a que faleceu levou com um motor em cima. Coisas da vida. O gajo de quem ela gostava esteve com ela até aos momentos finais todo emocionado. Acho que ele também gostava dela, mas preferia andar a papar as amigas. Mas isso não interessa nada porque, pelo que aprendi com esses amigos da Maria, há certas coisas que um gajo janota pode fazer que não deixa de ser janota. Já um totó... Adiante.
Ao ver a tristeza da Maria, disse-lhe para ir desanuviar com aquela família com quem ela se dá muito bem. São todos muito animados, especialmente uma colombiana, que é casada com um velhote e que é toda jeitosa. Fala é aos berros, mas a Maria precisava de ânimo.
Como esses não estavam disponíveis, foi ter com uma amiga toda divertida que vive com três rapazes na mesma casa. Ela é professora, um dos gajos é barman, outro é advogado e anda com uma jeitosa e o outro não faço ideia. Dá-me a ideia de que o barman e a professora vão ficar juntos, mas é melhor não dizer nada, não vá um motor de avião cair em cima da rapariga.
Depois de estar com eles, a Maria ficou logo mais animada e com vontade de ir ter com uma amiga que fez há duas semanas, que é mediadora de conflitos. Não é bem advogada, mas, como é jeitosa, anda a papar dois colegas advogados e não sabe com qual é que há-de ficar. Mas ela também não podia estar com a Maria. E não é de estranhar. Com a vida ocupada que ela tem...
Para mim, desde que a Maria fique mais animada, até pode convidar lá para casa um cozinheiro muito bom que ela conhece, apesar do gajo berrar que se farta e chamar nomes a toda a gente. Ela dá-se bem com ele mas ele tem é a mania. Se ele provasse os legumes da Maria até se calava, mas pronto. Ela conhece outro, que é assim meio sopinha de massa, que também cozinha bem mas ele agora anda nos EUA a ensinar os putos a comer comida de jeito e nem sempre pode. Esse farta-se de chorar e quando é assim, a Maria gosta de estar com uma dondoca inglesa, que passa a vida fechada em casa a cozinhar para a família.
O problema é que estes amigos da Maria são pessoas tão instáveis e precisam tanto do apoio dela que, depois, não tenho tempo para estar com alguns dos meus amigos. E bem que eles precisam do meu apoio.
Tenho uns que se vestem de vermelho e andam em grupos de onze atrás de uma bola mas a Maria diz que me enervo quando estou com eles. Eu digo-lhe que depois desanuvio com outros onze divertidos que se vestem de verde às riscas e fingem que também correm atrás de uma bola, mas nem assim tenho hipótese. E eu percebo. Nenhum deles anda a papar os colegas. Quer dizer, que eu saiba.
Mas isso também não é lá grande argumento. Às vezes convido uns tipos da política lá para casa mas a Maria nunca tem grande paciência. E é isso que não percebo. Se há pessoa que devia gostar deles é a Maria. Ela gosta dos amiguinhos dela que se papam uns aos outros. E não gosta destes, que nos papam a todos, todos os dias.
Até aposto que passava a gostar se eles se despenhassem no meio da floresta e levassem com um motor de avião em cima. Eu cá, também ainda não perdi a esperança de ver isso a acontecer.
E até era gajo para chorar um bocadinho.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Não foi desta que libertei o Tony Carreira que há em mim


Quando era miúdo, lembro-me de os meus pais receberem convites para irem ao salão de Bombeiros lá da terra buscar uma prenda a que tinham direito, desde que aceitassem levar com uma seca de um vendedor a apresentar os seus produtos da treta, que podiam ir desde um magnífico colchão de esponja a um conjunto de panelas reluzente. Se os produtos eram da treta, já as prendas que atraiam as pessoas eram sempre qualquer coisa do outro mundo. Só para se ter uma ideia, lembro-me agora assim de repente de extraordinários relógios de pulso e de balanças de cozinha. Tudo coisas que funcionavam sempre para cima de sete vezes. Cinco, vá. Três e não se fala mais nisso, pronto.
Ainda assim, os meus pais recusavam esses convites quase sempre, para meu grande espanto. Sempre achei que a coisa valia a pena e era do mais simples que havia. Levavam-se uns tampões para os ouvidos, batia-se uma soneca numa cadeira do salão enquanto os tipos não se calavam e, no fim, pegava-se na máquina fotográfica descartável (pessoas com menos de 20 anos poderão ter dificuldade em perceber o que é isto) e trazia-se para casa. Simples e eficaz.
Mas esta semana, tudo mudou.
Ora, sucede que fui convidado para uma dessas secas num hotel todo pipi de Lisboa. Sim senhor que tinha a sua boa dose de seca prometida, mas as prendas, oh meu Deus. As prendas eram espectaculares. Nada mais que uma caneta, um bloco de folhas e um pequeno almoço. Ou melhor, um brunch, tendo em conta que foi às 11h00. Se bem que brunch é um conceito que não domino. Nunca percebi o que é que faz de uma refeição um brunch. Se é o conteúdo ou se é a hora a que é comido. Enfim. Enigmas da Humanidade.
Mas era a oportunidade ideal para pôr em prática aquilo que eu sempre tinha idealizado em miúdo, quando os convites chegavam debaixo da porta da casa dos meus pais. Assim, à hora combinada, lá fui eu e a minha irmã mais velha ao sermão que dava direito a um monte de bugigangas e à concretização de um sonho de miúdo.
O problema foi que o vendedor que falou antes do brunch (deixem-me ser feliz...) se chamava Álvaro e, a avaliar pela forma como as pessoas o cumprimentavam, parecia ser Ministro da Economia. Esteve uma eternidade de tempo a vender a ideia de que, até à sua chegada, tudo foi mal feito e que, depois de ter posto mãos na massa, Portugal melhorou "imenso" e vai continuar a melhorar. Tudo graças a ele, claro. Tinha esperança que o totó, quer dizer, Sua. Exa., tivesse um rebate de consciência, e que percebesse que o produto que vende é a banha da cobra, mas nada.
Não lhe comprei a ideia e as prendas até foram jeitosas (a caneta deu para fazer dois desenhos durante o sermão antes de pifar e os croissants mistos e os pastéis de nata eram do melhor). Devia ter sido a concretização do sonho de menino (e a libertação do Tony Carreira que há em mim), mas não foi.
Há coisas que nos tentam vender que são tão ofensivas e irreais que nem o melhor pastel de feijão servido num guardanapo preto justificam o tempo despediçado a ouvi-las.
Os (meus) velhotes é que a sabem toda.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Receber pessoas em casa - dicas para o sucesso


Este fim-de-semana recebi cá em casa uns amigos. Como em tudo na vida, quanto mais vezes recebemos amigos, melhor as coisas correm. E desta vez, não foi diferente. Aliás, correu tudo tão bem que me sinto na obrigação de partilhar o meu vasto conhecimento nesta área. Não seria justo que, sendo eu, e a Maria vá, tão bons cicerones, as pessoas ficassem privadas deste nosso imenso conhecimento.
Para não ser maçador, deixo aqui apenas algumas dicas. O resto fica para a edição de um best-seller. Ora então, cá vai:
1 - Umas horas antes dos convidados chegarem, bebam café no sofá da sala, para variar, e façam uma nódoa valente mesmo no centro do sofá. Desta forma, não se esquecem de usar aquela capa de sofá que já tem uns anitos e que até já estava esquecida. Os convidados ficam agradados de ver que a casa não está sempre igual.
2 - Marquem o dia de receber pessoas para o dia em que o gás se acaba (sim, cá em casa ainda se trabalha com garrafa de gás). Assim, cravam logo a ajuda de um convidado e safam-se de ter que fazer a salada enquanto a vão substituir às bombas.
3 - Comprem vinho sem se preocuparem com o facto de terem deixado o saca-rolhas em casa dos vossos pais. É uma das melhores formas de mostrarem as vossas habilidades aos convidados. A minha sugestão é aparafusar um parafuso na rolha e puxar com um alicate. (as mulheres costumam ficar doidas com este número...)
4 - Usem carregadores de telemóvel do chinês e, uns dias antes da visita, deixem-nos ligados à tomada sem carregar nenhum telemóvel. Já ouviram dizer que eles rebentam se estiverem muito tempo ligados à tomada sem carregar nada? Pois sim, é verdade. O rebentamento de um carregador a meio da noite para acordar toda a gente, incluindo os convidados que estão a dormir, é uma excelente forma de cortar a monotonia própria da noite. Já para não falar nos efeitos visuais que são qualquer coisa de extraordinário.
5 - De manhã, não digam aos convidados que a água quente do banho só dura 5 minutos porque a chaminé não está a fazer a exaustão do gás do esquentador que se acumula na cozinha. Eles descobrem por eles quando apanharem um choque de água fria e ficam despertos num instante. No fim de contas, é para o bem deles.
6 - Para acabar em grande. Ponham a mesa para o pequeno almoço com a louça do costume, incluindo o açucareiro que já foi frasco de azeitonas de uma grande superficie comercial, e que ainda tem o rótulo. Mas deixem o açucareiro de verdade, aquele que custou uma pipa de massa, à vista de toda a gente. Primeiro para as pessoas saberem que os cicerones são pessoas com personalidade e, depois, porque proporciona sempre bons momentos de conversa. "Porque é que pões o açúcar aqui? Tens ali um açucareiro..." O problema, nesta fase, pode ser convencer os convidados de que o açucareiro que compraram é mesmo dificil de usar e que o problema não é cromice nem falta de jeito.
Mas atenção. Esta dicas são para ser seguidas à risca e com todo o cuidado. Não me responsabilizo por saídas de convidados antes do tempo.
Nem por tomadas queimadas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O mais parecido que alguma vez tive com um filho


Eu, que ainda não tive filhos, cheguei à conclusão, após uma análise muito, mas mesmo muito, cuidada das pessoas que já tiveram bebés, que ter filhos é uma coisa que: dá prazer a conceber, trabalho a gerar e uma cara de aparvalhado de cada vez que se olha para o produto final. Ah, e um medo do caraças de cada vez que alguém lhes pega, não vá alguma coisa partir-se.
Ainda só analisei esta questão durante alguns anos, por isso é natural que me esteja a escapar algum pormenor acerca do que é ter filhos mas acho que, no geral, é isto.
E foi isso tudo que senti quando a cegonha, quer dizer, o homem da transportadora, me entregou uma encomenda à porta de casa. Quer dizer, neste caso, também senti espanto por alguém estar a bater à porta e não ser o tipo da ZON que tem ar de Testemunha de Jeová. Se fosse esse ainda o convidava para beber um copo, que já somos quase família (é a pessoa que me bate mais vezes à porta, isso deve significar alguma coisa), mas o homem da transportadora só queria uma assinatura e desapareceu.
E sim, até à cara de aparvalhado tive direito. A caixa trazia 9 tabletes de chocolate com os meus desenhos, daqueles que publico aqui no estaminé, a servir de embrulho.
Fui convidado para esta embrulhada, no sentido bom da palavra, pela MySugar, uma marca de chocolates de Aveiro, que está, inclusivamente, convencida de que as vendas vão correr bem!... Ai ai...
As tabletes vão estar à venda nos Postos de Turismo de Lisboa, enoutras lojas aderentes, e eu já estou a ver como vão ser os meus próximos dias: vou ter que passar por lá, todos os dias, para ver se estão a precisar de uma limpeza, de umas festinhas, para ajudar alguém a pegar nelas ou, então, só para ficar aparvalhado a olhar para elas.
Afinal de contas, ter filhos é isso mesmo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Com 7 anos, eu acho que ainda era pior...


Maria - "Aqueles miúdos, ai ó pá. Que irritação que foi hoje! Se eles pensam que me podem faltar ao respeito nas minhas aulas estão bem enganadinhos!"
Eu - "Tem calma. É assim todos os anos. No início do ano lectivo custa-te sempre um bocadito mais. Dá-lhes um desconto. Têm 7 anos e ainda não tiveste tempo de estabelecer laços com eles!"
Maria - "Sim, mas estes miúdos, pá...São irritantes."
Eu - "Como é que eles são?"
Maria - "Oh, estão sempre a fazer desenhos nas aulas, a olhar pela janela, a conversar com o do lado e não ligam nenhuma para aquilo que eu digo. Tive que lhes mandar um berro para me ouvirem e não gosto nada. A sério, hoje venho mesmo irritada..."
Eu - "Pois, não sei..."
Maria - "Não estás a ver o estilo? São assim, tal e qual como tu! Que irritação."
Eu - "E queixas-te? Se forem como eu safas-te bem, já tens o treino todo. Olha, deixa-me só acabar este desenho e ver este programa que está a começar e já falam..."
Maria - "EU ESTOU A FALAR CONTIGO!"
Eu - "Sim, desc... desculpa..."

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pelo menos os camarões estavam bons


Este fim-de-semana fui a um casamento com a Maria. A noiva era a única pessoa que conhecíamos, quer dizer, que a Maria conhecia. No meu caso, acho que ter-lhe dito uma vez "Olá, sou o Tiago." e outra "O Tiago, o marido dela..." não faz propriamente de nós conhecidos.
De resto, não conhecíamos mais ninguém. Foi muito giro. Todos os restantes convidados se conheciam e falavam alegremente. Eu e a Maria também falávamos alegremente. A diferença é que era só um com o outro. Quer dizer, nem sempre. Como tivemos um dia inteiro para nós os dois, e a conversa de vez em quando escasseava, quando dei por mim, estava a levar nas orelhas da Maria por ter apanhado uma bebedeira há coisa de 9 anos...
Ah, mas é verdade. Tivemos, sim, outras conversas durante o dia. Eu tive uma, mais ou menos assim:
"Diga."
  "Era um Martini, se faz favor."
Já a Maria, como é mais faladora, vi-a a ter este diálogo:
"Diga, menina."
  "Queria uma coca-cola, por favor."
"Já não há."
  "Então pode ser um sumo natural."
Apesar de ninguém nos ter ligado patavina durante todo o dia, no início da festa ainda tentei, sem sucesso nenhum, fazer com que as pessoas reparassem em nós. Após a cerimónia propriamente dita, quando fomos para a fila dos cumprimentos aos noivos, disse à Maria que estava a pensar numa piadola para dizer aos noivos quando chegasse a nossa vez de os cumprimentar. Quebrava o gelo e podia ser que as pessoas reparassem que estavam ali duas alminhas que tinham sido mesmo convidadas, e que não eram, apesar de parecerem, dois infiltrados a querer comer de borla.
"Não me envergonhes, a sério... O que é que estás a pensar dizer?"
  "O que é que achas de: Parabéns! Não dou mais de 15 dias a esse sorriso!"
"Estás doido? Eles não te conhecem de lado nenhum!"
  "E se fosse: 'Tás toda contente! Quando voltarem da lua-de-mel falamos!"
"Esquece. Não vais dizer isso. Já estou a ficar chateada."
Para quem não percebe, "Já estou a ficar chateada." quer dizer: "Estou a ficar chateada porque a idiotice na tua cabeça não tem fim, mas se não a mostrares a mais ninguém, eu não me importo. Mas se mostrares..." O problema nestas coisas são sempre as reticências.
Com aquela tirada da Maria, fiquei encurralado. Se por um lado não podia dizer idiotices, por outro, já só tínhamos um casal à nossa frente, antes dos noivos, e o tempo esgotava-se. Tinha que pensar em qualquer coisa decente para dizer mas a pressão era muita. Havia o risco de alguma coisa correr mal. Devia ter pensado de véspera, quando havia tempo. Ali, só me restava rezar que não me saísse nada muito mau da boca para fora.
À chegada aos noivos, a Maria, com toda a sua classe, diz:
"Estás tão linda!"
Ao que a noiva responde: "Não estou nada!" e olha para mim. Era aquele o meu momento. Felizmente, aquele era um diálogo para o qual eu sabia a minha deixa. Já o tinha praticado com a Maria várias vezes ao longo dos anos. Assim, sem hesitar, disse a uma pessoa com quem tinha falado duas vezes:
"Estás estás. Estás toda jeitosa!"
A Maria abraçou-se a ela, certamente para que eu não tivesse hipótese de lhe dizer mais nada e eu fiquei em frente ao noivo. Desta vez, não tinha a Maria para ir à frente e facilitar-me a vida. O homem olha para mim todo sorridente e eu, ainda a pensar no que dizer, estendo-lhe mão, e digo-lhe:
"Boa sorte!"
Imediatamente depois de ter dito aquilo, pensei que, talvez, "Parabéns!" tivesse soado melhor. Mas incrivelmente, o homem perdeu o sorriso e ficou todo sério a apertar-me a mão durante alguns instantes. Foi o suficiente para eu sentir ali o início de uma grande cumplicidade.
Bem, ou isso ou vontade do homem de me perguntar quem eu era e quem é que me tinha convidado. A minha sorte foi, mais uma vez, a Maria, que lhe espetou dois beijinhos na cara e a coisa passou.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Tou a gozar, também tenho duas camisas...


Ao longo destes últimos dias, tenho-me estado a recriminar por ter faltado a dois dos mais importantes momentos de verdadeira cidadania a que o país assistiu recentemente. Sinto que deixei o meu país ficar mal e não vai ser fácil ultrapassar esta sensação.
Primeiro, custou-me imenso ter faltado à manifestação de dia 15. Queria ter estado lá para gritar bem alto as verdades que este Primeiro Ministro merece ouvir: que estes aumentos da Segurança Social só vão beneficiar os patrões e o capital e que me desamiguei dele no facebook. Sim. Eu sei que é duro desamigar alguém no facebook, mas ele estava a pedir. E olhem que até hoje só me desamiguei de outra pessoa, mas aí foi por um assunto muito mais sério. Já não aguentava receber mais convites para jogar o "Gardens of time" ou lá o que é. É que chegava a ser de hora em hora.
Mas onde me custou mesmo não ter ido foi à Vogue Fashion Night Out. Para quem não está a ver o que é, basicamente, é uma noite em que, no Chiado, em Lisboa, as lojas de roupa ficam abertas até de madrugada com promoções, há mini-concertos e bares improvisados em lojas, há celebridades a passear meio despidas, desfiles de modelos e as ruas ficam apinhadas de gente. Este ano foi no dia 13 de Setembro.
E eu bem tentei. Estive quase a conseguir convencer a Maria e uma das minhas irmãs a irmos mas fui traído pelo guarda-roupa. Não pelo meu, que só tem calças de ganga e t-shirts. Mas pelos delas, que, ao que parece, apesar de serem, respectivamente 12 e 7 vezes maiores que o meu, não tinham "nada de jeito" para ir a um acontecimento sobre moda.
Agora que penso nisso, às tantas elas não quiseram ir mas foi por causa do meu guarda-roupa. Hummm, ná. Não deve ter sido. Lembro-me perfeitamente que nesse dia tinha vestido uma t-shirt das mais recentes, comprada há menos de dois anos.
E pronto, acabámos por passar a noite no sofá a ver a "Gabriela, Cravo e Canela". Posso não ter visto mini-concertos nem bebido uns copos mas, pelo menos assim, sempre tive direito à parte de ver celebridades meio despidas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Florentino Perez a Primeiro Ministro de Portugal, já!


Sim, isso mesmo. O Florentino Pérez, o presidente do Real Madrid, devia ser o próximo Primeiro Ministro de Portugal.
Para mim, depois do que aconteceu nos últimos dias no Real Madrid e em Portugal em termos de gestão, está mais que visto que o homem dá uma abada aos incompetentes e supostos líderes aqui do rectângulozinho.
Senão, vejamos. Há uns dias atrás, o homem teve lá na empresa dele um dos melhores trabalhadores amuado, a dizer para as câmaras que estava triste, profissionalmente falando. Fez beicinho e tudo. (confesso que me vieram as lágrimas aos olhos...) Já se sabe que a austeridade faz aumentar os impostos e os rendimentos baixam. Ah, e que o carinho faz falta para se trabalhar bem.
E o que é que o Florentino fez? Disse-lhe "Ó pá, deves estar a gozar? 8 milhões dele não te chegam por ano? Se queres carinho vai mas é pedir à Irina e à D. Dolores!..." Não. E vontade não lhe deve ter faltado.
Em vez disso, certo de que ter o melhor trabalhador chateado lhe iria fazer perder rentabilidade, pegou na calculadora e fez umas contas. Com o dinheiro que esse trabalhador lhe deu e lhe dá a ganhar, já dava para um aumento suficientemente grande para nem ser preciso nenhum carinho.
Mas tendo em conta que, provavelmente outros trabalhadores se seguiriam na tristeza, cá para mim, o homem não perdeu tempo e foi falar com o Patrocinador para lhe dizer que na próxima renovação de contrato vai precisar de mais dinheiro. Com o sucesso que a empresa tem tido, ao qual muito ajudou o trabalhador amuado, o nome do Patrocinador apareceu mais na imprensa e o seu valor de mercado aumentou. E por isso, o Patrocinado, a empresa do tristonho, deve ser recompensado. Não passa pela cabeça de ninguém achar que o Real Madrid exigir mais dinheiro a um patrocinador, e possivelmente um contrato mais duradouro, é demonstrar uma fraqueza. É antes uma demonstração do seu poderio.
Por cá é tudo ao contrário. Bem, talvez à excepção do carinho.
É certo que Portugal não é propriamente uma "empresa" de grande sucesso. Mas, o pouco que tem, convinha que se mantivesse e se procurasse aumentar. Em vez disso, com medo de perder o Patrocinador, dá-se uma talhada no rendimento dos trabalhadores. Os trabalhadores ficam tristes. Produzem menos. Levam mais uma talhada que é para não serem parvos. Ficam mais tristes e fazem beicinho. Produzem ainda menos. Levam outra e outra e outra. Ah, e um carinho na página de facebook do patrão. (eu logo disse que por cá não faltava carinho...)
Tudo porque ele não é capaz de dizer ao Patrocinador que é preciso mais dinheiro para os trabalhadores terem a remuneração justa e produzirem mais e mais depressa ganharem o campeonato, quer dizer, a independência. E explicar-lhe que essa é a forma de ele próprio, o Patrocinador, também ganhar mais, já que isso vai aumentar o sucesso da empresa.
Assim, o Patrocinador vai enchendo o bandulho até secar a empresa. Depois procura outra, porque o que mais por aí há são empresas em dificuldades.
Parece que já há uma chamada Espanha e outra chamada Itália que estão na fila.

(E pensar que ainda há uns dias atrás a minha preocupação maior era só espalhar bem o protector solar e conseguir entrar na água em menos de 37 minutos. Ah, e apreciar uns rabiosques na praia sem a Maria se aperceber, vá...)