quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Florentino Perez a Primeiro Ministro de Portugal, já!


Sim, isso mesmo. O Florentino Pérez, o presidente do Real Madrid, devia ser o próximo Primeiro Ministro de Portugal.
Para mim, depois do que aconteceu nos últimos dias no Real Madrid e em Portugal em termos de gestão, está mais que visto que o homem dá uma abada aos incompetentes e supostos líderes aqui do rectângulozinho.
Senão, vejamos. Há uns dias atrás, o homem teve lá na empresa dele um dos melhores trabalhadores amuado, a dizer para as câmaras que estava triste, profissionalmente falando. Fez beicinho e tudo. (confesso que me vieram as lágrimas aos olhos...) Já se sabe que a austeridade faz aumentar os impostos e os rendimentos baixam. Ah, e que o carinho faz falta para se trabalhar bem.
E o que é que o Florentino fez? Disse-lhe "Ó pá, deves estar a gozar? 8 milhões dele não te chegam por ano? Se queres carinho vai mas é pedir à Irina e à D. Dolores!..." Não. E vontade não lhe deve ter faltado.
Em vez disso, certo de que ter o melhor trabalhador chateado lhe iria fazer perder rentabilidade, pegou na calculadora e fez umas contas. Com o dinheiro que esse trabalhador lhe deu e lhe dá a ganhar, já dava para um aumento suficientemente grande para nem ser preciso nenhum carinho.
Mas tendo em conta que, provavelmente outros trabalhadores se seguiriam na tristeza, cá para mim, o homem não perdeu tempo e foi falar com o Patrocinador para lhe dizer que na próxima renovação de contrato vai precisar de mais dinheiro. Com o sucesso que a empresa tem tido, ao qual muito ajudou o trabalhador amuado, o nome do Patrocinador apareceu mais na imprensa e o seu valor de mercado aumentou. E por isso, o Patrocinado, a empresa do tristonho, deve ser recompensado. Não passa pela cabeça de ninguém achar que o Real Madrid exigir mais dinheiro a um patrocinador, e possivelmente um contrato mais duradouro, é demonstrar uma fraqueza. É antes uma demonstração do seu poderio.
Por cá é tudo ao contrário. Bem, talvez à excepção do carinho.
É certo que Portugal não é propriamente uma "empresa" de grande sucesso. Mas, o pouco que tem, convinha que se mantivesse e se procurasse aumentar. Em vez disso, com medo de perder o Patrocinador, dá-se uma talhada no rendimento dos trabalhadores. Os trabalhadores ficam tristes. Produzem menos. Levam mais uma talhada que é para não serem parvos. Ficam mais tristes e fazem beicinho. Produzem ainda menos. Levam outra e outra e outra. Ah, e um carinho na página de facebook do patrão. (eu logo disse que por cá não faltava carinho...)
Tudo porque ele não é capaz de dizer ao Patrocinador que é preciso mais dinheiro para os trabalhadores terem a remuneração justa e produzirem mais e mais depressa ganharem o campeonato, quer dizer, a independência. E explicar-lhe que essa é a forma de ele próprio, o Patrocinador, também ganhar mais, já que isso vai aumentar o sucesso da empresa.
Assim, o Patrocinador vai enchendo o bandulho até secar a empresa. Depois procura outra, porque o que mais por aí há são empresas em dificuldades.
Parece que já há uma chamada Espanha e outra chamada Itália que estão na fila.

(E pensar que ainda há uns dias atrás a minha preocupação maior era só espalhar bem o protector solar e conseguir entrar na água em menos de 37 minutos. Ah, e apreciar uns rabiosques na praia sem a Maria se aperceber, vá...)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Medo de dentistas, eu? Ná...


Nestes últimos 4 dias, tenho andado a braços com uma valente dor de dentes. Tenho um dente do sizo, a tentar furar a gengiva, que ainda não se apercebeu de que não há espaço na minha vida para ele. E já nem sequer é a primeira vez que ele tenta. E até já sei que quando este parar com esta mania, tenho mais 3 à espera para fazer o mesmo número.
Como se diz que são dentes que só conseguem nascer na vida adulta, quando a pessoa já tem juízo (ou sizo), para tratar destas dores só vi duas hipóteses: ou aumentar o espaço na boca, ou ganhar juízo. Perante a impossibilidade de concretizar qualquer uma das hipóteses, temi o pior.
Foi então que me lembrei do meu Plano de Combate às Maleitas. Foi um plano que defini precisamente para alturas de desespero e que resulta sempre. Em apenas 6 passos cura qualquer maleita. E como sou uma pessoa solidária com os que sofrem, aqui ficam as 6 medidas que mudam a vida de uma pessoa quando surge uma dor. É seguir os passos e parar quando a coisa tiver tratada. Nem sequer é preciso ir até ao fim. (aliás, se for preciso ir até ao fim é porque a coisa está mesmo má...)
Cá vai:
1 - Apareceu a dor. É borrifar no assunto.
2 - Borrifar no assunto, estranhamente, não o resolveu. Tomar um analgésico.
3 - O analgésico não está a fazer nada. Deixar de tomar e fazer de coitadinho para a Maria fazer uma canjinha.
4 - Gaita. Afinal o analgésico estava mesmo a fazer alguma coisa. Voltar a tomar.
5 - A dor não diminui. Dar uma lição ao corpo para que ele perceba que não pode agir como se fosse um miúdo mimado. Ele é meu, por isso tem que me obedecer.
6 - O corpo já não me respeita. Ir ao médico...
Neste momento estou no ponto 5. É um dos pontos mais importantes deste plano e tem que ser adaptado à maleita em causa. Se for bem realizado, o problema acaba aqui. Mas não se pode desistir à primeira. É que o ponto 6... é melhor nem dizer.
No meu caso, cumpri todos os pontos à risca atá ao 4. No ponto 5 cometi um erro de principiante. Pensei para comigo: "Se me está a doer uma parte do corpo, vou fazer com que todo o corpo me doa para ele perceber que tem que parar com a dor de dentes, porque senão é pior para ele." Pensei pedir à Maria que me desse um valente enxerto de pancada, mas como tinha receio que ela se entusiasmasse, calcei as sapatilhas e fui correr. Por incrível que pareça, durante um dia, não me doeram mais os dentes. Sim, todo o corpo me doía. O dente perdeu o protagonismo e deu-me algum descanso. O pior foi que, ao fim de algumas horas, a dor de corpo passou e o dente voltou em força. Eu sabia que estava na direcção certa, só me estava a escapar qualquer coisa.
Sentei-me no sofá a descansar e foi então que vi na televisão a publicidade de um elixir a fazer uma explosão dentro da boca. Vi logo que era mesmo aquilo que o meu corpo precisava para aprender a comportar-se. Uma explosãozinha dentro da boca para aprender a perder a mania.
E assim foi. Comecei a usar aquilo e agora sou um tipo totalmente novo. Se aquilo me curou a dor de dentes? Não. Se já consigo comer com o lado direito da boca? Nem pensar nisso. Nem lá perto. Mas quando bochecho com aquilo, fico com a boca tão dormente que não sinto nada do que se passa dentro dela. Quando uso, até as lágrimas me vêm aos olhos, porque me custa tratar assim o meu corpo, mas ele merece.
Assim que a dor começa a voltar, tumba: mais um bochecho da coisa e pronto. Mal seja que o dente não se farte de levar com aquilo. Agora é ver quem desiste primeiro. E eu acho que sei quem vai ser.
Só tem é um problemazito: ficasssse a falar à ssssopinha de masssssa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O desespero, logo aos 4 anos de idade


Uma das coisas que mais gosto do Verão é que é das poucas alturas do ano em que a família se junta toda, um pouco como o Natal, mas com a vantagem de o jantar ser sardinhas assadas em vez de bacalhau.
Dão-se uns passeios, convive-se o que se não se pode conviver no resto do ano, brinca-se com os sobrinhos, de 4 e 7 anos, até as costas aprenderem a falar para pedir o fim da tortura a que são sujeitas e põe-se a conversa em dia.
Numa dessas vezes, o meu sobrinho de 4 anos perguntou à Maria se estávamos à espera de um bebé. O rapaz deve sentir a falta de um miúdo na família para brincar com ele. Por estranho que pareça, a irmã, com 7 anos, não acha piada aos puxões dele do cabelo dela. Vá se lá perceber as mulheres. É que é logo desde pequenas. Enfim.
A Maria, depois de pensar como haveria de descalçar aquela bota, sorriu, pôs o seu ar triunfal e disse-lhe:
"Sabes, os bebés vêm das árvores. Nascem nuns casulos e as pessoas que querem ter filhos vão lá buscar um casulo."
Já estava eu danadinho para continuar a conversa e dizer-lhe que, se os casulos caíssem ao chão e rachassem eram meninas e se ficassem agarrados ao pau, quer dizer, ao galho, eram meninos (só a classe desta analogia...), quando o miúdo, com um olhar de gozo, responde:
"Não é nada. O papá é que põe uma sementinha na barriga da mamã."
Ficámos os dois meio aparvalhados com o ar de indignado com que ele nos respondeu, mas o que custou mais nem foi isso. Foi o revirar de olhos com que ele o disse. Naquele momento, tenho a certeza de que o pensamento dele foi: "Estes dois só podem estar a gozar. É que só pode. Terão o quê, 3 anos?"
Apercebendo-se do desconforto da situação, apressou-se a arranjar uma desculpa para sair da cozinha a correr, enquanto gritava: "Vou ver bonecos pra sala!"
O assunto passou mas, dias mais tarde, quando voltámos a estar juntos, o sacana do miúdo voltou à carga com a mesma pergunta. Cá para mim, os pais também o devem ter proibido de puxar os cabelos à irmã e, portanto, ter um primo tornou-se numa questão da maior urgência. E para acelerar o processo, quis certificar-se de que tínhamos aprendido a lição e que não íamos andar a perder tempo à procura de árvores com casulos.
Por isso, desta vez eu não podia falhar na resposta. Não podia deixar o meu sobrinho de 4 anos achar que eu tinha mentalidade de 3. De 12 anos ainda vá, agora 3, santa paciência. Apesar de temer o contra-ataque, disse-lhe:
"Com efeito, caro sobrinho, a conjuntura económica mundial, e em particular aquela em que o nosso país se encontra, tem causado alguma instabilidade junto da Maria e de mim próprio, pelo que não nos parece que esta seja a altura mais indicada para aumentar a família. Espero que compreendas esta situação."
Visivelmente atrapalhado, e talvez por se dar conta que estava a insistir no mesmo assunto sensível, arranjou mais uma desculpa das dele e saiu a correr da cozinha. Desta vez, foi: "Vou ver bonecos pra sala!"
Apesar de tudo, fiquei intrigado. É que o olhar dele dizia, e desta vez tenho mesmo a certeza que era:
"Do que é que este está para aqui a falar?"

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

1 ano de Viagens!


É verdade. Aqui o estaminé completa hoje o seu primeiro aniversário. Parece que foi ontem que comecei a mostrar aqui os meus cadernos e, quase sem dar por isso, já lá vai um ano.
Um ano desde o dia em que estava a arrumar as tralhas no Quarto das... Tralhas (tentámos chamar-lhe Quarto de Hóspedes, mas não pegou) e me passaram pelas mãos os meus cadernos de viagem. Pareceu-me, nessa altura, muito mais engraçado mostrar o que eles guardam do que deixá-los a apodrecer na estante (até porque a estante é do IKEA, e com o bolor dos cadernos já se sabe que apodrecia num instante).
"Tenho montes de bonecos. Pinto cada um em 5 minutos, invento umas palermices e já está."
Não sei se a "enorme quantidade" de bonecos que tinha chegaram para o primeiro mês de vida do blogue, assim como também não sei se algum dos posts que fiz me levou menos de 3 horas. Mas bem vistas as coisas, é uma forma de me obrigar a desenhar mais e a esforçar-me para ser cada vez melhor. Mesmo que os bonecos sejam feitos no mesmo sít...
Xiiii, tenho que ir. É que, pela 123º vez, já estou a ouvir, directamente do sofá da sala:
"O quê? Ainda estás no blogue? Possa..."

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Vou enviar o meu CV à Carris


Aqui há tempos, ia eu no eléctrico a atravessar a baixa de Lisboa, quando entram três tipos no eléctrico, dos seus 50 anos, óculos escuros, mapa de Lisboa na mão, roupinha da Dolce e Cabana e Lagoste, calçado Nice e Abibas – eram gatunos, não havia a menor dúvida.
Passaram grande parte do tempo a olhar para todos os passageiros até que, estava eu quase a chegar ao meu destino, começam a cercar um velhote no corredor do eléctrico. Se o velhote tivesse ar de representante da troika, como o outro que eles assaltaram, eu ainda fazia claque. Aliás, ainda era menino para lhes ir dar uma ajudita. Mas o homem de rico não tinha nada e aquilo estava-me a custar.
Eu tinha que fazer alguma coisa para impedir aquilo. Mas o quê? Gritar “Gatunos! Chamem a polícia!” só ia fazer as pessoas pensar que estava algum político para entrar no eléctrico. Dar um pêro num deles era contra os meus princípios. Sou contra a violência física, especialmente quando vejo que o mais certo é ela vir parar, ao triplo, ao meu corpinho. Se ao menos não tivesse feito a barba de 2 meses nesse dia, caramba…
Foi então que me lembrei do acto mais heróico que poderia ter. Um acto de valentia só ao alcance de verdadeiros heróis, modéstia à parte. Um daqueles feitos que nos põe o Hino de Portugal a tocar dentro da cabeça e a bandeira nacional a esvoaçar por trás.
Sim, isso mesmo. Peguei em mim e fui-me pôr ao lado do velhote. Ok, foi só isto.
Mas o Hino Nacional a tocar deve ter desconcentrado os tipos porque mal estacionei ao pé do velhote, o gatuno que estava atrás de nós disse ao da frente estas simples palavras, que nunca esquecerei: “Come o velho, pá! Come o velho!”
A réstia de dúvida que pudesse existir sobre a seriedade daqueles cavalheiros desapareceu ali. A única hipótese de eu estar enganado era se um deles tivesse um saco com pão fresco e pão do dia anterior e o outro estivesse a dizer para comer primeiro o velho. Ainda procurei com os olhos, mas nada. Era mesmo do velhote ao meu lado que estavam a falar. E não, também não era com um ar romântico que o estavam a dizer.
O problema, é que estava lá um gajo armado em parvo que era preciso que saísse dali primeiro. Com toda a simpatia, disseram-me vinte e quatro vezes que eu podia passar, até me arranjaram um canto mais espaçoso para eu ir e tudo. Dei um passito para a frente, só para queimar tempo até à paragem e eles devem ter percebido que era melhor desistir dali. Se há coisa que sei fazer bem é ser chato.
Na paragem seguinte saímos e fiquei a perceber porque é que os super heróis são pessoas tão amargas – nem uma salva de palmas, nem os parabéns, nem notas de quinhentos euros, nem roupa interior feminina atirada aos meus pés, nada...
Mas como a coisa correu bem, estou a pensar vender os meus serviços de estorvador de roubos à Carris. Arranjo um fato como o Batman, ponho uns chumaços e aí vou eu estorvar quem estiver a prevaricar dentro dos eléctricos. No metro já há uns gajos destes. Chamam-lhes, como é que é, ah…., já sei – polícias.
Como na Carris parece que ainda nunca ouviram falar desses tipos, vou ver se faço negócio.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

As lições que um elástico pode ensinar


Nunca gostei muito de fazer as lides domésticas. Não é que não as faça e que não saiba que tenho mesmo que fazer, mas é aquele tipo de trabalho de que não consigo gostar. A sorte é que a Maria me ajuda muito nisso. Nas alturas em que é a minha vez de arcar com o trabalho doméstico, ela tem sempre uma palavra amiga de encorajamento.
"O quê, ainda não fizeste o jantar? Sabes bem que hoje é a tua vez! E a roupa? Nem penses que desta vez escapas..."
Mas não sou assim com todos os trabalhos em casa. Se há coisas que gosto de fazer, são pequenas reparações.
Nunca esquecerei o olhar maravilhado da Maria quando montei um interruptor novo, em substituição de outro que se queimou. Ficou com aquele olhar que dizia "Afinal, sempre tens algum préstimo!..." Foi muito emocionante. E um alívio também.  É que já começavam a escassear as coisas em que lhe poderia ser útil. Mesmo naquele assunto em que os homens costumam ser úteis às mulheres, ela não precisava de mim para nada. Sim sim, ela sempre se desenrascou bem a abrir os frascos sozinha.
E ao longo do tempo, fui percebendo que as pequenas reparações cá em casa davam equivalência a trabalhos domésticos - pendurar um quadro perdoava-me fazer uma máquina de roupa, uma tomada equivalia a varrer a casa e montar o autoclismo (uma coisa mais elaborada) já perdoava lavar a casa de banho, o jantar e tratar da loiça.
Na semana passada, saiu-me o jackpot. A sogra telefonou à Maria a dizer que se tinha partido uma trave da cama. Voluntariei-me logo para arranjar a dita. Aquilo era quase um Euromilhões. Sim, os arranjos em casa da sogra costumavam valer o dobro dos arranjos na minha.
No dia combinado, tratei do assunto e, melhor era impossível, até me aleijei numa mão. Foi a sorte da minha vida. Tive direito a folga a fazer três jantares, dois almoços, duas máquinas de roupa e uma limpeza de casa. E quando a cara da Maria começava a azedar, mostrava o dói-dói na mão e pronto, estava feito.
O pior veio depois. Senti precisamente o que sente (ou o que deve sentir, vá...) um vencedor do Euromilhões que torra o dinheiro todo e volta a ficar sem nada. Toda a dor e agonia passaram por mim.
O tempo passou, a ferida sarou e, numa bela manhã, quando procurava roupa interior na gaveta, só lá encontrei os boxers com o elástico estragado, devidamente arrumados, para casos de emergência.
Temendo o pior, perguntei, meio a medo, à Maria:
"Olha, não há roupa lavada?"
"Há! Porquê, tu não tens, é? Eu tenho para mim. Não digas que não te avisei."
Reuni a mim o pouco orgulho que me restava e disse-lhe:
"Para hoje ainda tenho. Deixa estar que logo já ponho a máquina a lavar."
Depois de hoje, tão depressa não volto a desleixar-me nos trabalhos domésticos. Ou isso ou tenho que ver se estrago uma tomada ou uma torneira.
É que andar um dia inteiro com os boxers que mais parece que foram usados pelo nosso avô, não é trabalho fácil.
Mesmo assim, pelo sim, pelo não, depois de lavados, já voltaram para a gaveta. Mais vale prevenir...

sábado, 18 de agosto de 2012

Christian Bale, vais gostar de saber isto


Graças a uns estupores dos Estados Unidos e outros que tais no México, por pouco que não ia conseguindo convencer a Maria a irmos ver o Batman. Andei a gastar o meu latim durante dias a fio a convencê-la de que por cá só há pessoas boas e que ninguém faz mal a ninguém e bastou que as minhas irmãs também quisessem ir para que ela concordasse logo.
E de facto, valeu bem a pena ir ver o filme. E sem querer estragar nada a ninguém que ainda não o tenha visto, basta ver o início para se perceber vai ser um bom filme de suspense e violência. A primeira cena começa logo com um vilão, daqueles com um parafuso a menos, a repetir sem parar:
"Quantos é que somos? 10 milhões? 10 milhões? 4 bolas de ouro, 4 bolas de ouro. Um quadradinho, 4 bolas de ouro...", encolhe os ombros e repete tudo de novo. Não se percebe nada, mas o suspense fica logo no ar. Os realizadores dos Estados Unidos sabem bem abrir o apetite aos espectadores.
Mas é um grande grande filme. Mesmo grande. Nem me lembro de ter visto um filme tão grandioso. Daqueles que até parece os actores estão mesmo à nossa frente e que até conseguimos cheirar o suor deles. Ou então foi só por termos ficado na fila da frente e a Maria estar de sandálias.
Adiante. Aconselho toda a gente a ver o filme. É daqueles filmes em que se fica com a ideia de já se ter visto a história 1000 vezes mas pronto.
E, já que estou numa de conselhos, só queria deixar aqui um ao Christian Bale, o gajo que faz de Batman, para o caso de ele voltar a fazer mais algum filme do homem morcego (e nunca se sabe se ele não vem aqui ao estaminé com regularidade):
"Da próxima vez que vestires a fatiota, tens que ver se a lavas primeiro. Eu, quando chega o tempo frio e visto uma camisola que já não uso há muito tempo, fico logo rouco como tu. Isso é do mofo da roupa, que faz alergia. A sério. Metes a farpela na máquina a 40ºC e secas ao ar e vais ver que o problema na voz passa. Um abraço."

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Tão certo como o Djaló nunca ter traído a Luce


Teorias da conspiração não são comigo. Por muito que tente, tenho alguma dificuldade em ver além daquilo que as coisas aparentam ser. Para mim, os incêndios são, obviamente, resultado de piriscas ou foguetes atirados ao mato, o 11 de Setembro foi azelhice dos pilotos e o Djaló só foi a Miami ver uns amigos que lá tem. (Luce, ele gosta é de ti e não foi a nenhuma festa de meninas. Por ele, eu punha as mãos no fogo, daqueles ateados com piriscas.)
Mas aqui há uns dias aconteceu-me uma coisa de extrema gravidade, que me fez, inclusivamente, questionar a minha forma de ver a vida.
Ora, sucede que, como o caderno que estava a usar para fazer os desenhos aqui do estaminé estava a acabar, resolvi comprar um novo. Já há quase um ano que uso sempre o mesmo modelo de caderno e, embora já tenha tentado usar outros tamanhos, é naquele que me sinto bem. Baratuxo, um bocadinho maior que o A6, capa dura, papel amarelado, folhas 80gr, de uma marca da Sonae, cabe no bolso e é muito prático.
Fui ao centro comercial e já não havia. Fui a outro e, para espanto meu, também já não havia. Aproveitei uma viagem a Coimbra e, surpresa das surpresas, em nenhum dos centros comerciais havia. Aquilo começava a parecer estranho.
De regresso a Lisboa, fui aos centros comerciais onde ainda não tinha ido e nada. Havia maiores e mais pequenos mas, o tamanho que eu uso parecia que se tinha evaporado.
Como a coisa estava a começar a exigir medidas drásticas, resolvi ir à loja oficial da marca. À chegada, procurei, procurei e nada. Outra vez cadernos mais pequenos e maiores mas dos que eu usava, nada. Chamei então, já em desespero, uma empregada da loja e perguntei-lhe:
"Já não têem aqueles cadernos um bocadinho maiores que A6?"
"Olhe, o que temos é o que está aí. Mas amanhã já vêem mais."
"E será que amanhã vão ter aqueles cadernos que não são nem A6 nem A5, são intermédios..."
De imediato a cara da rapariga iluminou-se. Começou a sorrir e respondeu-me:
"Ahhh, os antigos! Não. A produção desses já acabou. Já não vendemos mais."
E continuou a rir sozinha, comigo estupefacto a olhar para ela. E o que mais me custou, a mim que nem vejo um palmo a mais daquilo que os meus olhos captam, foi que percebi de imediato o que escondia aquele sorriso.
Aquelo sorriso dizia clara e nitidamente: "Ahhh, és tu o tipo que usa os cadernos para fazer um blogue cheio de palermices. O sr. Belmiro já me tinha dito que não queria estar associado a um blogue de idiotices pegadas e que ía parar de vender esses para ver aquilo acabava. Ai ai, adoro o meu patrão!"
Ela merecia que eu lhe dissesse: "Pois bem. Pode pegar no seu optimus e ligar ao seu patrão e dizer que vou agora mesmo ao Pingo Doce comprar os cadernos de capa dura deles. Quem se mete comigo, não se fica a rir."
Tivesse o Pingo Doce desses cadernos e era o que eu faria. Em vez disso, lá tive que comprar dos mais pequenos. Se acontecer como eu espero, daqui por um ano também já não se vão vender destes.
Pelas minhas contas, daqui por 62 anos já consegui fazer com que nenhum dos modelos de caderno deles se venda naquelas lojas e assim, sem dó nem piedade, o homem (que na altura terá cerca de 237 anos) vai à falência.
Já estou a imaginar. Quem se mete comigo, só tem o que merece.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O essencial é invisível para os olhos (ou não...)


Depois da trabalheira que me deu fazer as ilustrações da minha viagem a Santiago de Compostela para os ingleses da Travel Magazine, achei por bem encerrar o assunto com mais uma trabalheira - montar tudo num livro bonitinho com o resumo da matéria dada.
Ao ver o trabalho todo junto, fiquei com a sensação de que muito ficou por contar. Mas que muito também foi riscado com um lápis azul inglês. Apesar de tudo, fiquei satisfeito com o resultado final.
Claro que, ao ler as histórias que saíram no site e que no livro transcrevo, as pessoas não vão ficar a conhecer importantes passagens da viagem e que mudam todo o rumo dos acontecimentos, como aquela em que eu piquei a malta para irmos ao banho na Playa da Magdalena tal e qual como viemos ao mundo, ou mesmo aquelas em que por vezes tínhamos que nos aliviar daquilo que mais nos afligia nos pinhais. Também não ficarão a saber que passámos o tempo todo a tentar fazer o arranginho entre dois amigos polacos que lá conhecemos e que gastámos uma pipa em roaming a mandar mensagens à malta para fazerem um "likezinho" num determinado concurso.
Mas, infelizmente, nem sempre o que é mais importante pode vir a público.
É uma pena. Ui se é.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Estou a ponderar não me voltar a sentar no Metro

Aqui há dias, entrei no metro e vi que a carruagem estava quase vazia. Como estava cansado e havia lugares suficientes para uma excursão inteira de velhotes do Inatel se sentarem se entrassem na estação seguinte, resolvi arriscar e sentei-me. Quando me sento, gosto de ir descansado mas se ocupo o único lugar disponível, a minha consciência não descansa enquanto não encontra um velhote ou uma grávida algures na carruagem.
Ocupei o meu lugar junto à janela e já estava a pensar em dormir uma soneca rápida quando, na paragem seguinte, se senta uma senhora de seios proeminentes mesmo à minha frente. Uma carruagem quase vazia, com lugares de sobra para velhotes, e senta-se uma senhora toda, digamos, jeitosa, à minha frente? Algo de errado pairava no ar...
Sim, algo de errado pairava, mas não era no ar, mas sim na cabeça dela. E era um pedaço de musgo verde, mesmo no centro.
E se eu, rapidamente, vi o que se passava ali de errado, a rapariga também percebeu de imediato que algo se passava. Dá-me a ideia que as mulheres se apercebem de que há qualquer coisa que não bate certo no seu aspecto quando os homens as olham para outro lado que não o decote. E eu não conseguia tirar os olhos do pedaço de musgo que ela tinha na cabeça e que parecia que crescia à medida que o tempo passava.
Consciente de que devia ter algum problema no cabelo, a rapariga começa a pentear-se furiosamente com as mãos, mas o musgo fintava-lhe os dedos. Estava ela a pentear-se e a minha consciência a torcer-me de dores. Se por um lado dizer-lhe: "Olhe, desculpe, não sei se sabe mas tem um pedaço de musgo verde na cabeça." parecia uma boa acção, por outro, arriscava-me a ouvir: "Ai eu tenho musgo no cabelo? Se visses o pedaço de chocolate que tens nos dentes estavas caladinho...". Sim, porque quem come queques de chocolate antes de entrar no metro tem que ter alguma precaução nestas coisas.
Pensei, então, fazer o esforço e fazer aquilo que ela esperaria de mim: olhar, simplesmente, para o decote e esquecer o monstro verde que lhe crescia na cabeça.
Estava eu nesta indecisão quando, por fim, o metro se aproxima da minha estação. O meu pensamento foi: "Quando parar, digo-lhe que tem um monstro na cabeça e saio a correr."
Em vez disso, mal a carruagem parou, saí logo a correr e fui à casa de banho da estação. Já não aguentava lamber mais os dentes sem saber se os tinha sujos de chocolate.