Imbuídos neste espírito aventureiro, respirámos fundo e... fomos ao cinema ver um filmezinho fofinho.
Sim, eu avisei que tínhamos ido na loucura. E o que haverá de mais louco em ir ao cinema no dia dos namorados e, aqui vai bomba, tentar ver mesmo o filme? Muito pouca coisa, digo eu...
À chegada à sala, tivemos que pedir gentilmente a um casal, que só deve ter comprado um bilhete, para pararem de se comer literalmente um ao outro, para alcançarmos os nossos lugares. Ela ainda me olhou com uma cara de indignada e eu fiquei a sentir-me mal porque, no fundo, quem estava no sitio certo no dia errado éramos nós.
Sentámo-nos e, em segredo, rezei para que o filme começasse o quanto antes. Como a coisa estava demorada, pus-me a fazer um desenho. E, apesar de não ter conseguido deixar de ouvir as lambusadelas do casal que ficou ao meu lado, estar a desenhar teve a vantagem de os fazer parar com aquilo de 10 em 10 segundos, de cada vez que o cavalheiro espreitava o desenho para ver se ia aparecer...
Mas bem, o filme lá começou e o casal do meu lado parou com aquilo. Até ao intervalo, aguentou-se bem. (não me posso queixar das pessoas a comerem pipocas de boca aberta porque isso já passou a ter o estatuto de banal...)
O pior foi na segunda parte. A Maria já não tinha posição para estar e pediu-me para trocar de lugar. Até aqui tudo bem. O pior foi quando começaram as cenas fofinhas, que, basicamente, aconteciam de 5 em 5 segundos. De cada vez que algum actor ou actriz dizia alguma coisa mais lamechas, a menina que estava ao meu lado exclamava "Ohhhhh..." e atirava-se literalmente para cima do namorado, já com a língua de fora, pronta para o lamber mais uma vez. Agora que penso nisso, a minha sogra tem um cão que também faz isso. Enfim.
O que importa é que no final todos os casalinhos tinham um ar feliz. Elas porque viram um filme lamechas. Eles porque sentiram que, após o sacrifício, iriam ser recompensados...
E nós porque superámos uma prova do mais radical que há. Qual bungee jumping qual quê.

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