quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Só arriscando as relações se tornam mais fortes


Neste dia dos namorados, eu e a Maria decidimos arriscar. Deixámos de lado a nossa zona de conforto e lançámo-nos na aventura. Que Diabo, a vida não volta atrás e tem que ser vivida todos os dias.
Imbuídos neste espírito aventureiro, respirámos fundo e... fomos ao cinema ver um filmezinho fofinho.
Sim, eu avisei que tínhamos ido na loucura. E o que haverá de mais louco em ir ao cinema no dia dos namorados e, aqui vai bomba, tentar ver mesmo o filme? Muito pouca coisa, digo eu...
À chegada à sala, tivemos que pedir gentilmente a um casal, que só deve ter comprado um bilhete, para pararem de se comer literalmente um ao outro, para alcançarmos os nossos lugares. Ela ainda me olhou com uma cara de indignada e eu fiquei a sentir-me mal porque, no fundo, quem estava no sitio certo no dia errado éramos nós.
Sentámo-nos e, em segredo, rezei para que o filme começasse o quanto antes. Como a coisa estava demorada, pus-me a fazer um desenho. E, apesar de não ter conseguido deixar de ouvir as lambusadelas do casal que ficou ao meu lado, estar a desenhar teve a vantagem de os fazer parar com aquilo de 10 em 10 segundos, de cada vez que o cavalheiro espreitava o desenho para ver se ia aparecer...
Mas bem, o filme lá começou e o casal do meu lado parou com aquilo. Até ao intervalo, aguentou-se bem. (não me posso queixar das pessoas a comerem pipocas de boca aberta porque isso já passou a ter o estatuto de banal...)
O pior foi na segunda parte. A Maria já não tinha posição para estar e pediu-me para trocar de lugar. Até aqui tudo bem. O pior foi quando começaram as cenas fofinhas, que, basicamente, aconteciam de 5 em 5 segundos. De cada vez que algum actor ou actriz dizia alguma coisa mais lamechas, a menina que estava ao meu lado exclamava "Ohhhhh..." e atirava-se literalmente para cima do namorado, já com a língua de fora, pronta para o lamber mais uma vez. Agora que penso nisso, a minha sogra tem um cão que também faz isso. Enfim.
O que importa é que no final todos os casalinhos tinham um ar feliz. Elas porque viram um filme lamechas. Eles porque sentiram que, após o sacrifício, iriam ser recompensados...
E nós porque superámos uma prova do mais radical que há. Qual bungee jumping qual quê.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Piegas ou nabos?


O que estava em pé gesticulava, punha-se de pé, esbracejava, fingia que chutava, falava alto, sentava-se, trincava a sandes, voltava a fazer que chutava, bebia leite... O sentado, só acenava que sim com a cabeça. Mas verdade seja dita. Ele tentava. Chegava a conseguir dizer uma ou duas sílabas, mas o amigo não lhe dava grande hipótese.
Eu estava a mais de 50 metros e não consegui ouvir a conversa. Mas perante tamanha demonstração do poderio da irritação de um verdadeiro português, só vejo duas opções para o conteúdo da conversa:

Opção A
- Nabos! Eu digo-te que são uns nabos... Aquilo era só pontapear a bola lá para dentro e ganhávamos... Que porra. Já não há paciência.
- Hum hum.
- É que já nem os consigo ver a jogar. Parecem uns coitadinhos.
- Hum hum. Eu tam...
- Dá dó. Nham Nham. Era só chutar, caraças. Glup glup.

Opção B
- Piegas! Eu digo-lhe quem é que é piegas... Aquilo era só pontapear o rabo dele lá para fora e expulsávamo-lo... Que porra. Já não há paciência.
- Hum hum.
- É que já o consigo ver a governar. Faz de nós uns coitainhos.
- Hum hum. Eu ach...
- Dá dó. Nham nham. Era só chutar, caraças. Glup glup.

Eu aposto na opção A. Tudo bem que irmos perder a independência é chato. Mas o Sporting está a fazer um bom serviço para nos fazer esquecer isso.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tenho um paladar requintado


Quando vou comer fora, só vou a sítios típicos. Já experimentei ir a outros mas correu mal. É que não consigo mesmo. A sério. Não contem comigo para comer porcarias e prejudicar a minha saúde. Nos restaurantes típicos é que me sinto bem.
É que só nestes sítios se sente a verdadeira cultura de um país. É nestes sítios que se sente, a cada dentada ou a cada golada, todo o histórico esforço de um povo. Que defendeu a sua cozinha como parte integrante da sua cultura e fez dela uma bandeira.
Sente-se o esforço dos agricultores no cultivo, que arduamente, e de sol a sol, trabalham para nos fazer chegar à mesa os melhores ingredientes, dos cozinheiros na confecção metódica das refeições e na própria reinvenção da cultura gastronómica. E de todos os outros de quem ninguém fala, como os transportadores, os empregados de mesa, os empregados de limpeza e todos aqueles que não descansam para que até nós, apenas chegue o melhor do melhor.
E o mundo tem tantas culturas diferentes, tantos países, tantos povos, tantas formas diferentes de ver a comida, que seria um autêntico desperdício limitar as escolhas de restaurantes tipicos ao país A ou B.
O meu paladar requintado, por exemplo, tem um fraquinho pelos restaurantes típicos dos Estados Unidos.

Não há nem Mac, nem PizzaHut nem Starbucks que me escapem.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

E o pintinho piu, e o galo corócócó e a galinha có...


Quando já se sabem todos os anúncios da rádio de cor, quando já se consegue adivinhar a música que vai dar a seguir (e também se sabe de cor, mesmo que seja da Britney Spears...), quando já se ouviu o arquivo inteiro dos Cromos do site da Comercial e do Bruno Nogueira do site da TSF, quando os vídeos do Facebook já aparecem pela vigésima vez e partilhados sempre por alguém diferente, e quando (ó meu Deus...) por estúpido que pareça, se começa a achar piada ao clip do "Pintinho Piu" cantado em play back por um miudo super irritante, sim, é porque está na altura de desanuviar, nem que seja com uma ida ao parque mais próximo.
Quando, no parque mais próximo, ao fim de se lá estar há 5 minutos, dois velhotes começam a olhar, com olhos de mafiosos, como se alguém tivesse entrado em casa deles sem pedir autorização, e estivesse a estragar algum negócio secreto, e se olha em volta para lhes mostrar que está lá mais gente mas só se veêm mesmo dois homens do lixo a limpar as folhas secas caídas, é porque está na altura de voltar ao trabalho.
Não tem nada que enganar.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Guiné Conacri, hummm...


Fui, há dias, a um novo tipo de agência de viagens, que se está a popularizar muito no nosso país. É um novo conceito, com argumentos claramente vencedores. De facto, o conceito deve ser mesmo bom, porque a dita agência esta sediada num prédio de luxo no centro de Lisboa.
Mas vamos aos argumentos.
Em primeiro lugar, têm uma recepcionista jeitosa. Pronto, agora que já arranjei maneira de dormir no sofá durante duas semanas, vamos aos que realmente importam:
Recebem os clientes numa sala de reuniões, à porta fechada (a recepcionista não tem nada que saber para onde vamos... já está, três semanas no sofá...) por um doutor todo engravatado. Só isso transmite logo uma sensação de importância ao cliente.
Depois perguntam a história da vida toda ao cliente. Pode parecer intromissão na intimidade mas não é. Eles querem mesmo é perceber qual o país que melhor nos assenta.
Por fim apresentam-nos os destinos que acham que nos ficam melhor. Curiosamente, a mim era a Guiné Conacri. Por estranho que pareça, fui com um colega a quem receitaram o mesmo. Deve ser um país muito eclético, a Guiné.
De resto, parece que África, de uma forma geral está a sair muito bem. O Brasil também está a começar a sair mas o que está a ficar na moda é o Médio Oriente.
Mas aquilo que realmente torna este negócio em algo de revolucionário é que esta agência de viagens arranja forma dos clientes receberem dinheiro por viajar. É verdade.
Quer dizer, fiquei com a ideia de que no país de destino é preciso trabalhar um bocadito. Ah, e as viagens têm que durar 6 meses. E depois da primeira viagem, pode-se vir a casa uma semanita e depois tem que se voltar a viajar para o mesmo país durante mais 6 meses. Ui, e levar a família é altamente desaconselhado, porque reduz as possibilidades de arranjar um bom destino. Toda a gente sabe que a Guiné Conacri é bonita de visitar sem a familia a chatear.
Mas a viagem é paga e ainda dão um valor para despesas, mensalmente. Sim, só podem dar um pequeno valor porque lá me informaram que "o paradigma mudou". Não sei bem o que é que isso quer dizer, mas há tanta gente a dizer isso que o mais certo é isso não querer dizer absolutamente nada.
Agora, o que realmente realmente é de génio, é o nome que arranjaram para este tipo de agências. Deve ter sido alguém muito inteligente para, nos dias que correm, se ter lembrado deste nome. É que só o nome já garante o sucesso destas agências.
Agências de Emprego. É de génio ou não é?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O Viagens chegou ao P3!


O site do P3, suplemento digital do jornal Público dedicado aos jovens, publicou hoje um artigo de extrema qualidade jornalística. É um artigo que dignifica o jornalismo português e explora todas as vertentes dessa arte que conjuga a divulgação de acontecimentos com a mais fina literatura, numa profundidade dramática...
Oh, esqueçam. Não é nada disso. É um artigo aqui sobre o estaminé. É a vida. Deviam estar com falta de temas. A crise, quando dá, é para todos.
Mas olhem, se passarem por lá, façam-me um laique. O site deles tem uma série de separadores com um ilustrador em cada e, que caramba, não queria nada ficar em último nas visitas.
Valé?

Ah, a porta de entrada é esta: http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/2005/tiago-urban-sketcher-leal

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Era kinder mas não foi surpresa


Ir ao médico por estar maldisposto do estômago e ser atendido por um sô doutor a comer alarvemente um chocolate kinder está ao mesmo nível de ser alcoólico e ser ouvido por um médico a beber um cálice de vinho do Porto ou ter uma dst e ser atendido por um médico a fazer o amor com a secretária sem preservativo...
É uma coisa que não se faz ao pior dos criminosos.
Mas pior do que isso, foi quando o homem, após engolir a barra de chocolate, praticamente de uma vez só, me perguntou com a voz colocada:
"Então e o que é que sente?"
Foi aqui que percebi que o médico não devia ser grande coisa. Se fosse, não precisaria de perguntar, porque saberia perfeitamente que o que eu estava a sentir era uma salivação do caraças e uma inveja difícil de imaginar...
Não, agora a sério. O homem é bom médico sim senhor. Percebeu que eu não devia estar bem do estômago e, de certeza que foi por isso, não só não me perguntou se eu era servido como ainda escondeu o resto da tablete no saco térmico, para me ajudar a resistir à tentação do chocolate.
E tinha razão. Quando saí, senti-me logo muito melhor.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Os amigos do Passos Coelho medem 2 x 1,5


Há dias ia, muito descansadinho, de passagem por Lisboa, quando eis que, a sair de um restaurante de comida africana da moda, vejo o nosso primeiro, o distinto Dr. Passos Coelho.
O facto do homem se alimentar em restaurantes africanos não me admirou. Ou não fosse ele o homem que um dia se auto-intitulou "o mais africano de todos os candidatos a 1º Ministro".
O que me admirou foram os amigos com quem ele estava. Eram uns 4, todos com 2m de altura por 1,5m de largo, de fato e óculos escuros. Eu que sempre imaginei que os amigos de alguém como um enfezado Primeiro Ministro fossem pessoas com ar de extrema cultura, não consegui deixar de ficar surpreso por afinal terem aspecto de extremo culturismo.
Mal saíram do restaurante foram, extremamente apressados, para os carros de alta cilindrada. Os amigos dele devem viver bem. Dois Mercedes topo de gama daqueles não são para os bolsos de qualquer um. E nem sequer deixaram o Passos Coelho ir à frente. É o problema de um gajo ter amigos maiores. Eu sei bem o que isso é. Na Faculdade, como eu era o mais pequeno dos meus colegas, também ia sempre atrás...
Mas pronto. Tou para aqui a falar dos amigos dele e eles, coitados, devem ter problemas de saúde. Todos tinham aparelhos auditivos e um tique esquisito: estavam sempre a olhar em redor. Até fazia parecer que estavam com medo que alguém quisesse fazer mal ao amiguinho Passos.
Enfim, toda a gente sabe que o Passos Coelho só quer o melhor para os portugueses.
Não é?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Não percebo nada de crianças, quer dizer, de moda


- O que estás a fazer, tio?
- Estou a desenhar-te. Tens que estar quietinho.
- Mas eu quero ver...
- Vês no fim. Se vieres cá agora não vais ver o desenho acabado.
- Mas eu quero... Buááááá...
- Mas não podes. Já te expliquei.
- Olha, vou ver televisão.
- Nããããããããooooo... Volta cá!

5 minutos mais tarde:
- Ah, voltaste!
- Sim. Deixa ver.
- Olha aqui. Estás parecido, não estás? E tive que te fazer sem estares ali.
- Fizeste-me com cabelo de menina... Buááááá...
- Tem calma. Então não vês que o teu cabelo é assim?
- Ó pai! Paaaaaaiiiiiii! O tio disse que eu tenho cabelo de menina! Buáááá...
- Não disse nada. Mas tens que ver que é parecido com o das menin...
- Buáááááááááááááááá....

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Alguém sabe se o Paco Bandeira acabou com a namorada actual?


O único sítio público onde toda a gente, incluindo pessoal da alta finança, pode ler revistas da imprensa cor-de-rosa, sem sentir a sua dignidade diminuída, é na sala de espera dos consultórios médicos. Primeiro, porque é o único tipo de revistas que existe nesses sítios e, em segundo, porque a alternativa é olhar para o tecto. E isso, conforme toda a gente sabe, cansa o pescoço.
Eu cá não leio esse tipo de literatura de casa-de-banho. Não, não. Eu sou uma pessoa que apenas lê revistas cientificas, políticas e artísticas. O meu nível intelectual não se compadece com menos do que isto.
Só fiquei foi chateado, da última que vez que fui a um consultório, com um senhor todo bem posto, que não largava uma revistinha dessas. Leu-a de fio a pavio, página por página. E, ainda por cima, chegou a minha vez antes do homem a largar.
É que, pelo que consegui ver de relance, tinha um artigo muito interessante sobre música popular portuguesa que queria mesmo ter lido.