terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Já sei porque é que não costumo ir ao Santa Cruz
Há dias fui com a minha senhora ao café Santa Cruz, em Coimbra, e, ao entrar num café tão histórico e tão bonito da cidade como aquele, lembrei-me do raro que era irmos ali.
Como levei o caderno, pensei em desenhar a praça do lado de fora do café, mas o lugar à janela já estava ocupado por um senhor. Sentámo-nos na mesa mais perto e, por entre goles de café, fui fazendo o boneco. Como o senhor estava com um ar petrificado, acabei por arriscar e desenhá-lo também.
Durante o tempo que lá estivemos, o senhor não se mexeu um milímetro. Já começava a ser intrigante.
O que é certo é que o tempo que demorámos a perceber o porquê de ele ter aquela cara foi o mesmo que demorámos a pedir a conta, altura em que ficámos com a mesma expressão, mas apenas durante alguns segundos.
É que nós só bebemos um café mas o senhor tinha um pequeno almoço continental na mesa.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Sei que tem a ver com Filipinos, mas não são bolachas
Sinceramente, acho bem que o 1 de Dezembro vá deixar de ser feriado. Primeiro, porque ninguém sabe bem ao certo o motivo de ser feriado e em segundo, porque a fila de espera nos Pastéis de Belém é tal que se perde a paciência. Chega quase ao ponto de fazer uma pessoa desistir de apoiar a economia nacional.
De qualquer das formas, fiquei mais descansado quando vi na televisão que o critério para anular feriados foi escolhendo os que não são festejados. Se alguém se lembrasse de anular feriados consoante os portugueses soubessem o porquê dessas datas serem feriado, ficávamos reduzidos ao Natal, Ano Novo e Carnaval.
Já agora, deixa lá ver, acho que o 1 de Dezembro é sobre qualquer coisa que nos faz ter orgulho em nós, portugueses. Só não me lembro o que é...
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Pornografia, kuduro e cultura
Há dias fui à biblioteca, na tentativa de pôr os neurónios a trabalhar. Sentei-me numa mesa sem ninguém e, por estranho que pareça, até estava a conseguir fazer alguma coisa de jeito.
Ao fim de 5 minutos de trabalho árduo, que me pareceram 5 horas, sentou-se na mesa à minha frente, um senhor dos seus 60 anos. Ligou o seu computador e pôs os seus phones. Até aqui tudo bem.
O pior foi quando, aparentemente, o senhor se fartou de ouvir música pelos phones e, sem os tirar das orelhas, começou a ouvir música de discoteca em plena biblioteca. E quando digo música de discoteca, isso inclui o volume em que a costumamos ouvir... numa discoteca.
Confiante de que alguém o iria mandar parar com aquilo, respirei fundo e deixei-me estar.
O pior foi quando o senhor, de aspecto respeitável, começou a ouvir kuduro. Eu não tenho nada contra o kuduro mas o kuduro tem qualquer coisa contra mim, especialmente quando me tento concentrar.
Olhei em redor e ninguém parecia estar incomodado com aquilo. Mentalizado que teria que ser eu a falar com o senhor, levantei-me e lá fui eu.
A primeira dificuldade que tive foi que o senhor ouvisse o que lhe estava a pedir. A segunda foi que ele acreditasse que a música não estava a sair pelos phones. O senhor lá me pediu desculpa e eu segui com a minha vidinha.
Quando o meu cérebro começou a dar sinais de cansaço, arrumei as coisas para ir embora. Ao passar pelo senhor, não resisti e dei uma espreitadela ao computador dele e não quis acreditar no que vi...
Fiquei mesmo a sentir-me culpado. Se eu não tivesse pedido ao senhor para pôr o som nos phones, toda a biblioteca poderia ter tido um momento de prazer.
Caramba, sou mesmo um empata f****...
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Na cabeça dói muito
Muita gente me tem dito que preciso de treinar desenhar as caras das pessoas porque a coisa ainda não me sai muito bem. Decidido a enfrentar esta malapata, fui até a um quiosque que há na Praça Camões, em Lisboa, e pus-me a olhar para as pessoas que passavam, de caderno e lápis na mão, com um certo ar de intelectualóide.
A primeira ideia que me ocorreu foi "Já sei porque é que não costumo desenhar pessoas: elas põe-se a olhar fixamente para mim e fico com medo de ser agredido na via pública. Vou escolher pessoas que não me vejam." Por estúpido que pareça, é nas alturas que queremos que ninguém nos veja que toda a gente olha. Assim, ao fim de um quarto de hora, quando já me estavam a dar cãibras na mão por não fazer nada, decidi mudar de estratégia e estabelecer um plano: se alguém viesse ter comigo e perguntasse "Está a desenhar-me?", a minha reacção seria mostrar o caderno e não dizer nada. Aí, se a pessoa perguntasse com ar alegre: "Este sou eu?" eu confirmaria logo e o aperto passaria. Se a pessoa, pelo contrário, perguntasse chateada "Este sou eu?", a minha resposta seria: "Este? Não, o senhor é muito mais novo e muito mais bonito!" Com um bocadinho de sorte, o aperto também passaria.
Só não consegui elaborar um plano para o caso de, a seguir surgir uma pergunta do género: "É que esse boneco tem um cachecol e uma boina como eu, e também está a fumar!" Para estes casos ainda pensei em explicar à pessoa que, numa cidade como Lisboa, há muitas pessoas parecidas, mas o mais provável seria eu responder qualquer coisa do género:
"Por favor, bata-me devagarinho. E na cabeça não. Que fico maldisposto."
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Sr. Golden e Sra Kika Silva
Quando se fartaram de nós, sensivelmente 2 minutos depois de chegarmos, foram atasanar o juízo aos gatos, o passatempo preferido deles a seguir a um que não posso aqui dizer...
Depois do almoço, deu-lhes a moleza e foram para o alpendre dormir a sesta, com o sol a bater nas costas. Quando acordaram, estavam tão espevitados que só sossegaram quando lhes prometi que lhes fazia um desenho. Não, tou a gozar. Eles quiseram lá saber do desenho.
Com a energia que tinham, acharam-se uns valentes e tentaram entrar na casa. Levaram com uns olhos da minha Maria, baixaram o focinho e voltaram para o alpendre, ao pé de mim. Armam-se em fortes e depois é assim. Mais calminhos agora, lá se deixaram desenhar. Nada como um castigo para acalmar os miudos, quer dizer, os cães. Ainda se fartaram de me tentar tirar o caderno para ver o desenho, mas logo lhes disse que tinham que ir ao blogue ver e era se queriam.
Quando viemos embora, vieram-se logo despedir. E a tristeza era tal que até vieram ter connosco em 4 patas.
Os cães da minha sogra não são duas pessoas bonitas aprisionadas no corpo de rafeiros. Os cães da minha sogra são duas pessoas bonitas.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Nasceram o Terence Hill e Bud Spencer portugueses
Sendo certo que acarreta muitas injustiças, a greve de hoje foi memorável. Quanto mais não seja, serviu para mostrar que a maior parte do povo está unido, e isso é sempre uma coisa boa.
Para além disso, Portugal viu nascer duas estrelas. Se tivessem menos 40 anos, arriscavam-se a ser os ídolos das adolescentes. Com a idade que têm, acho que têm mais pinta de Terence Hill e Bud Spencer. Sim, um magro e um gordo que, nos filmes americanos, ofereciam porrada da grossa, umas vezes defendendo os mais fracos e outras só porque podiam.
E quem, como eu, viu a conferência de imprensa ao final do dia do Carvalho da Silva e do João Proença, não ficou com qualquer dúvida.
Falaram mais de meia-hora sobre os números da greve, da manipulação do Governo e dos patrões, da importância do protesto, que receberam os parabéns de mais de 60 países e, no fim, disseram com toda a firmeza que se fosse preciso estavam dispostos a endurecer a luta.
Claro que se fosse na América, o Terence Hill teria virado a mesa e o Bud Spencer pegaria no microfone e diria "Pedro, ou defendes os mais fracos ou voltamos a parar esta porra deste país, tás a ouvir, ó c*****o??"
Mas estamos em Portugal e, à escala portuguesa, o que eles fizeram foi exactamente o equivalente a isso.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Mas o que estará este rapaz aqui a fazer com um caderno?
Esta semana fui convidado a ir desenhar uma aula de pintura da Associação de Solidariedade Social dos Professores de Coimbra. E perguntam vocês: "Mas porque é que foste desenhar uma aula de pintura?" E eu respondo: "Porque, sendo uma associação cultural, as pessoas de lá têm gosto em que pessoas de outras áreas apareçam para mostrar aquilo que fazem, demostrando que é possível fazer diversas interpretações do desenho enquanto forma de expressão e comunicação." Isso, ou então por a minha mãe ser uma das alunas. Ainda estou meio indeciso.
Mas a verdade é que foi uma tarde muito bem passada. As alunas, todas elas professoras reformadas, têm um grande sentido de humor e acharam piada a estarem a ser desenhadas. E como estavam concentradas a pintar, pouco se mexiam e acabaram por ser boas modelos.
De facto, a concentração era de tal ordem que a minha mãe só contou às colegas a história de eu fazer desenhos na missa, quando tinha 4 anos, por 17 vezes.
Por tudo isso, obrigado, mãe.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Tudo o que precisamos de saber sobre as mulheres está no IKEA
Hoje fui ao IKEA com a minha lady e, para variar, em vez de estar preocupado com a sobrevivência da nossa conta bancária, resolvi tentar perceber o que é que faz com que seja tamanho sucesso entre as mulheres. Os tipos que criaram o IKEA devem perceber tanto de mulheres que não lhes tinha ficado nada mal darem umas lições à malta. Andamos aqui todos à rasca para as tentar perceber e eles, que enriquecem todos os dias à custa delas, guardam o segredo para eles. O mais certo é serem gordos e cheirarem mal e terem criado o IKEA para se vingarem dos outros (nós, os que não são tão gordos e não cheiram tão mal) mostrando que, ninguém como eles, sabe como se dá prazer a uma mulher...
Adiante. Com a minha aguçada capacidade de observação, consegui chegar a importantes conclusões.
Estou certo de que haverá mais para além das que consegui obter, mas, no essencial, acho que o IKEA é um sucesso porque: está disponível até às 23h00 com todas as funcionalidades (e não a dormir no sofá desde as 22h15, com baba a escorrer da boca...), está sempre arrumadinho, as camas feitas, os sofás com as almofadas e a loiça no sítio certo.
Mas, para mim, aquilo que, acima de tudo, faz com que o IKEA seja um sucesso é que, tem a capacidade de, com apenas um pouco de imaginação, fazer parecer o sítio mais pequenino em algo enorme e atraente, capaz de deixar qualquer mulher espantada.
E, por isso, há que saber dar mérito aos gordos mal cheirosos que o inventaram.
PS: o desenho é da fnac no Chiado, onde até os cortinados são do IKEA. Eu sei porque tenho uns iguais...
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Ora essa, não têm de quê
O apuramento de Portugal para o Euro 2012 foi um daqueles momentos marcantes, para recordar durante bastante tempo, pelo sofrimento que provocou mas sobretudo pela alegria que daí adveio, apenas ao nível das cenas de coiso e tal entre o Marco e a Susana ou mesmo, no limite, da expulsão do Carlos, também ele, um grande rematador.
Mas não posso aqui deixar de dizer que, este apuramento se deve, em grande parte, a mim. Sim, a mim. Sempre que bebi umas cervejolas a ver os jogos da Selecção, Portugal ganhou categoricamente. Isso e cantar o hino. Quando canto o hino antes dos jogos, Portugal também ganha. Ah, e quando digo "Vai vai!" quando os jogadores portugueses estão a atacar também.
Infelizmente, foi preciso chegar a este ponto porque, contra a Dinamarca pensei que tinha cerveja em casa mas não tinha e, na 1ª mão contra a Bósnia, tive até meio do jogo às compras com a minha senhora. Eu preocupo-me com Portugal, sim senhor, mas ter comida em casa também tem a sua importância. No tempo do Queirós, andava tão desanimado com aquilo que me esquecia de cantar o hino.
Mas pronto, o importante é que correu tudo bem e Portugal vai ao Europeu. Pela minha parte não têm nada que agradecer. Mas aviso já: não sei se no Europeu estes meus poderes se vão manter. Os meus poderes variam muito, às vezes até de um jogo para o outro.
sábado, 12 de novembro de 2011
E viva os engenheiros
Fiz uma coisa que estava para fazer há já algum tempo mas que ainda não tinha tido oportunidade: fui a Lisboa passar um dia a desenhar. Este tipo de coisas só se consegue fazer sozinho, por isso, desta vez, não levei a minha senhora.
O dia, em si, foi cheio de imprevistos. Entre ouvir uma senhora aos gritos na rua a dizer que os portugueses estavam todos tramados porque ela ia mudar o nome do país e um rapaz perguntar-me se queria uma "bolota de chocolate" (miudos, esta vão ter que perguntar aos papás o que quer dizer), aconteceu-me de tudo um pouco, de maneiras que me parece que tenho histórias para contar até ao fim do ano.
Aqui, o desenho do Elevador do Carmo, esteve quase para não ser feito. Do outro lado da rua, estava um grupo de 10 trolhas, à boa vida, à espera que chegasse o engenheiro. Mas não eram uns trolhas quaisquer: eram trolhas dignos da capital, daqueles com uma enciclopédia de piropos. E não ter passado nenhuma mulher em mini-saia não os deixou enrascados. Tinham piropos para rapazolas com rastas, para velhotas, para gordos... Com receio que tivessem bocas para pessoas a desenhar na rua, preferi esperar pelo chefe deles, para trabalhar em paz e sossego.
Toda a gente sabe que os engenheiros nunca deixam ninguém ficar mal.
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